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A Escalada da Guerra de Ordenamento Mundial sobre a Ucrânia – Herbert Bottcher

Em 1989, o Ocidente capitalista considerou-se vencedor sobre o Oriente desmoronado. Não se reconheceu que não era um concorrente sistémico, mas o “irmão gémeo” do Ocidente capitalista que tinha atingido o seu fim: a variante estatista da produção de mercadorias, que já não era competitiva com o Ocidente nem era já capaz de lidar com a revolução microelectrónica. O que não foi percebido foi que este fracasso era o prenúncio da crise agravada do capitalismo, na qual o limite lógico interno da produção de mercadorias marcava os limites do desenvolvimento cada vez mais claramente também no Ocidente. O erro a que o Ocidente sucumbiu não foi – como se afirma repetidamente – a ilusão de uma paz perpétua, que subestimou o desejo imperial da Rússia, mas a ilusão de vitória sobre o suposto concorrente sistémico, que lhe permitiu fanfaronices sobre o “fim da história” (Francis Fukuyama) na sua conclusão em mercado e democracia, ignorando ao mesmo tempo os seus próprios processos de crise e desintegração. Continuar lendo A Escalada da Guerra de Ordenamento Mundial sobre a Ucrânia – Herbert Bottcher

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A Guerra como modelo da dissociação catastrófica do capitalismo – Marildo Mengat

Neste ensaio, o autor pretende examinar o lugar e a função da guerra como uma força destrutiva, na sociedade capitalista. Partindo de uma tese esboçada por Robert Kurz, é examinada a relação entre guerra, dinheiro e sacrifício, como contexto concreto da origem da economia, como uma forma de dominação fetichista. Posteriormente, ele analisa a mudança de lugar da guerra no momento em que o capital começa a andar com seus próprios pés. De uma forma impositiva externa, a guerra transforma-se em instrumento de crescimento e modernização imanente do capitalismo. Na fase madura do capitalismo, a guerra torna-se parte dos mecanismos de financeirização da economia. Defende-se, ao longo do ensaio, que a guerra é um modelo destrutivo que acompanha a constituição e o desenvolvimento das categorias fundamentais do sistema e, por esta razão, deve ser entendida também como modelo do porvir, ou seja, da dessocialização catastrófica no segundo colapso do sistema por hora em curso. Continuar lendo A Guerra como modelo da dissociação catastrófica do capitalismo – Marildo Mengat

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A guerra de decomposição do capitalismo russo – Pablo Jiménez C.

Robert Kurz, ao contrário da maioria dos seus contemporâneos, compreendeu que a implosão do socialismo de caserna, uma formação capitalista de modernização atrasada sob a bandeira do marxismo, constituía a antecâmara do colapso do processo de modernização mundial. Contudo, este processo de colapso não deve ser entendido como o afundamento iminente e imediato do sistema capitalista, mas como o desmoronamento já em curso de um modo de produção histórico que cada vez mais colide com os seus limites internos e externos.

Assim, o colapso da URSS não implicou imediatamente o colapso do capitalismo russo enquanto tal, mas a sua reorganização e adaptação às novas circunstâncias históricas criadas pelo processo de globalização capitalista. A ascensão de Putin à posição hierárquica superior do Estado russo no último dia do último milénio significou tanto a reorganização do capitalismo russo como o início do seu processo de decomposição no meio de um estado de excepção permanente sobre a sociedade. De facto, o seu verdadeiro “mérito” histórico – se pensarmos de acordo com a ideologia de morte própria do sujeito iluminista – seria precisamente a estabilização do capitalismo russo e a formação de um Estado imperialista arqui-autoritário e independente – capaz de competir com o Ocidente – que travou os esforços ocidentais sustentados para transformar a Federação Russa numa periferia subjugada ao neo-imperialismo ocidental. Continuar lendo A guerra de decomposição do capitalismo russo – Pablo Jiménez C.

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Uma conversa com Roswitha Scholz

“Assumo que não é apenas o valor como sujeito automático que constitui a totalidade, mas que é preciso ter em igual conta a “circunstância” de que no capitalismo também existem actividades reprodutivas que são realizadas principalmente por mulheres. Neste contexto, “dissociação-valor” significa que, na essência, as actividades reprodutivas específicas das mulheres, mas também os sentimentos, características e atitudes conexas (sensibilidade, emocionalidade, cuidado etc.) são dissociados do valor/mais-valia. As actividades reprodutivas femininas no capitalismo têm assim um carácter diferente do trabalho abstracto. É por isso que não podem ser subsumidas sob este conceito sem mais; são um lado da sociedade capitalista que não pode ser apreendido pelo sistema conceptual marxiano. Este lado está junto com o valor/mais-valia, pertence-lhe necessariamente, mas no entanto está fora dele, sendo ainda assim a sua condição prévia. Valor (mais-valia) e dissociação estão assim numa relação dialéctica entre si. Um não pode ser derivado do outro, mas ambos emergem um do outro. Esta lógica também dá origem à “heterossexualidade compulsiva” (Adrienne Rich), uma vez que outras formas de desejo sexual são per se excluídas e perseguidas como desviantes. A este respeito, a dissociação-valor pode também ser entendida como uma metalógica que se sobrepõe às categorias internas da economia.” Continuar lendo Uma conversa com Roswitha Scholz

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