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Ainda sobre o “milagre chinês” (II) – Maurilio Lima Botelho e Marcos Barreiro

A crise dos referenciais teóricos da antiga esquerda marxista – que, em todo caso, nunca entendeu criticamente as categorias de base do capitalismo – se deu em meio ao esgotamento do modelo de planejamento estatal do mercado que vigorou desde a década de 1920. Por mais que se apresentasse como um antípoda do capitalismo, sempre entendendo este a partir da combinação reducionista de propriedade privada e “livre mercado”, a realidade dessas sociedades “pós-revolucionárias” consistia precisamente no contrário, isto é, no processo de afirmação histórica das relações capitalistas fundamentais, a começar pela instituição da força de trabalho e do seu disciplinamento no contexto de construção da economia nacional. Desde o início, e em conformidade com o conceito reduzido de capitalismo, a intervenção do Estado foi confundida pelo marxismo tradicional com uma forma de poder não capitalista, mesmo quando ela atuava para implementar a acumulação primitiva e o desenvolvimento das relações de valor-mercadoria-dinheiro. O resultado da “modernização recuperadora” em economias de base fortemente rural (como a Rússia no início do século passado) foi uma formação social assentada na contradição entre a manutenção das categorias de base do capitalismo que o “primado da política” ajudou a instituir e a limitação do elemento concorrencial do mercado, o que deu origem a uma sociedade profundamente disfuncional.2 Continuar lendo Ainda sobre o “milagre chinês” (II) – Maurilio Lima Botelho e Marcos Barreiro

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Ainda sobre o “milagre chinês” (I)- Maurilio Lima Botelho e Marcos Barreiro

Em vez de explicar esse contexto de crescimento chinês, marcado pela expansão da riqueza em forma monetária, as teorias marxistas residuais se fixam na pura “materialidade” dos processos econômicos. Os investimentos em infraestrutura e no setor imobiliário, após a crise de 2008, aparecem diretamente, do ponto de vista material, como um salto qualitativo em termos de construção da “economia nacional”. Essa orientação, que se volta de modo imediatista para o concreto, seja em termos de positivismo econômico ou de “vontade política”, é incapaz de apreender o desenvolvimento das formas abstratas da riqueza e da dominação que estão no centro da crítica de Marx ao capitalismo.[14] Tanto a mobilização improdutiva de recursos para a produção de infraestrutura quanto o boom imobiliário, porém, são condicionados mais pelo imperativo abstrato da concorrência do que pelas necessidades concretas em termos de “utilidade” ou planejamento. Por meio da orientação “concretista”, a teoria permanece presa a um entendimento tradicional da contradição capitalista, que se limita a opor produção material (Grande Indústria) e propriedade privada. Um entendimento crítico da contradição capitalista teria, por um lado, de se basear na própria forma da produção e da sua contradição interna, na qual “o valor torna-se anacrônico e ainda assim permanece o âmago do capital” (POSTONE, 2018, p.18). Por outro lado, a dinâmica do capital também tem de aparecer como contradição entre a sua compulsão pelo crescimento sem limites e os custos desastrosos desse crescimento do ponto de vista ambiental, isto é, os custos materiais da produção de riqueza abstrata. Continuar lendo Ainda sobre o “milagre chinês” (I)- Maurilio Lima Botelho e Marcos Barreiro

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Um corte maior: Anulação das dívidas – Robert Kurz

O pensamento emancipador deve demarcar-se de forma aguda de interpretações economicamente vulgar-keynesianas, ideologicamente irracionais e muitas vezes étnico-neonazis. Pressupondo isto e sabendo, que se trata apenas de uma exigência parcial para a defesa imediata contra a destruição da reprodução social, pode a exigência da anulação de todas as dívidas impagáveis, não só do Terceiro Mundo, tornar-se um motivo importante do novo movimento social mundial. Continuar lendo Um corte maior: Anulação das dívidas – Robert Kurz

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O Conchavismo brasileiro – André Márcio Neves Soares

* Quando falamos a palavra “conchavo”, parece que estamos nos remetendo apenas para o sentido ruim que ela pode ter. Assim, “conchavo” passeia no imaginário popular como um conluio ou uma mancomunação visando uma finalidade má. Esquecemos que “conchavo” pode … Continuar lendo O Conchavismo brasileiro – André Márcio Neves Soares

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