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O paradoxo da globalização II – André Márcio Neves Soares

Este artigo está centrado na contemporânea contradição entre um regime político em franco declínio – a democracia liberal que deveria ter sido vencedor após a queda do último grande bastião dos regimes totalitários da história (III),a URSS, e o avanço sistemático das forças de extrema direita nessas primeiras décadas do século XXI. Como efeito, o desmantelamento do bloco soviético, no final do século passado, deu a impressão de que finalmente a então guerra fria entre os países ocidentais comprometidos com o neoliberalismo haviam vencido o leste europeu e os países que seguiram a cartilha do Estado onipresente, no palco das ideias políticas. Hoje, em plena terceira década do século XXI, especialmente após a crise econômica/financeira dos “subprimes” americanos dos anos 2007/2008, a cantada vitória neoliberal parece ter sido precipitada. O que deu errado? Continuar lendo O paradoxo da globalização II – André Márcio Neves Soares

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A Escalada da Guerra de Ordenamento Mundial sobre a Ucrânia – Herbert Bottcher

Em 1989, o Ocidente capitalista considerou-se vencedor sobre o Oriente desmoronado. Não se reconheceu que não era um concorrente sistémico, mas o “irmão gémeo” do Ocidente capitalista que tinha atingido o seu fim: a variante estatista da produção de mercadorias, que já não era competitiva com o Ocidente nem era já capaz de lidar com a revolução microelectrónica. O que não foi percebido foi que este fracasso era o prenúncio da crise agravada do capitalismo, na qual o limite lógico interno da produção de mercadorias marcava os limites do desenvolvimento cada vez mais claramente também no Ocidente. O erro a que o Ocidente sucumbiu não foi – como se afirma repetidamente – a ilusão de uma paz perpétua, que subestimou o desejo imperial da Rússia, mas a ilusão de vitória sobre o suposto concorrente sistémico, que lhe permitiu fanfaronices sobre o “fim da história” (Francis Fukuyama) na sua conclusão em mercado e democracia, ignorando ao mesmo tempo os seus próprios processos de crise e desintegração. Continuar lendo A Escalada da Guerra de Ordenamento Mundial sobre a Ucrânia – Herbert Bottcher

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A guerra de decomposição do capitalismo russo – Pablo Jiménez C.

Robert Kurz, ao contrário da maioria dos seus contemporâneos, compreendeu que a implosão do socialismo de caserna, uma formação capitalista de modernização atrasada sob a bandeira do marxismo, constituía a antecâmara do colapso do processo de modernização mundial. Contudo, este processo de colapso não deve ser entendido como o afundamento iminente e imediato do sistema capitalista, mas como o desmoronamento já em curso de um modo de produção histórico que cada vez mais colide com os seus limites internos e externos.

Assim, o colapso da URSS não implicou imediatamente o colapso do capitalismo russo enquanto tal, mas a sua reorganização e adaptação às novas circunstâncias históricas criadas pelo processo de globalização capitalista. A ascensão de Putin à posição hierárquica superior do Estado russo no último dia do último milénio significou tanto a reorganização do capitalismo russo como o início do seu processo de decomposição no meio de um estado de excepção permanente sobre a sociedade. De facto, o seu verdadeiro “mérito” histórico – se pensarmos de acordo com a ideologia de morte própria do sujeito iluminista – seria precisamente a estabilização do capitalismo russo e a formação de um Estado imperialista arqui-autoritário e independente – capaz de competir com o Ocidente – que travou os esforços ocidentais sustentados para transformar a Federação Russa numa periferia subjugada ao neo-imperialismo ocidental. Continuar lendo A guerra de decomposição do capitalismo russo – Pablo Jiménez C.

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Uma conversa com Roswitha Scholz

“Assumo que não é apenas o valor como sujeito automático que constitui a totalidade, mas que é preciso ter em igual conta a “circunstância” de que no capitalismo também existem actividades reprodutivas que são realizadas principalmente por mulheres. Neste contexto, “dissociação-valor” significa que, na essência, as actividades reprodutivas específicas das mulheres, mas também os sentimentos, características e atitudes conexas (sensibilidade, emocionalidade, cuidado etc.) são dissociados do valor/mais-valia. As actividades reprodutivas femininas no capitalismo têm assim um carácter diferente do trabalho abstracto. É por isso que não podem ser subsumidas sob este conceito sem mais; são um lado da sociedade capitalista que não pode ser apreendido pelo sistema conceptual marxiano. Este lado está junto com o valor/mais-valia, pertence-lhe necessariamente, mas no entanto está fora dele, sendo ainda assim a sua condição prévia. Valor (mais-valia) e dissociação estão assim numa relação dialéctica entre si. Um não pode ser derivado do outro, mas ambos emergem um do outro. Esta lógica também dá origem à “heterossexualidade compulsiva” (Adrienne Rich), uma vez que outras formas de desejo sexual são per se excluídas e perseguidas como desviantes. A este respeito, a dissociação-valor pode também ser entendida como uma metalógica que se sobrepõe às categorias internas da economia.” Continuar lendo Uma conversa com Roswitha Scholz

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