Post fixo

Após Postone – Roswitha Scholz

No texto são postas em destaque as diferenças entre Kurz e Postone do ponto de vista do “individualismo metodológico” (incriminado por Kurz). Expressas em termos esquemáticos, essas diferenças funcionam assim: enquanto Kurz insiste em ler “O Capital” como um todo e só depois observar a forma da mercadoria, situação em que o terceiro volume de “O Capital” assume importância, justamente para o processo das categorias reais de um colapso/decadência do capitalismo hoje observável também empiricamente, Postone agarra-se às primeiras 150 páginas de “O Capital” e desenvolve a partir daí o curso do capitalismo, sem consequências em termos de teoria da crise. Postone recorre basicamente à forma da mercadoria, Kurz à forma do capital. Ao mesmo tempo, Postone defende implicitamente um ponto de vista que tende a ser ideologicamente complacente com a classe média, não em último lugar porque coloca em primeiro plano sobretudo a ecologia, enquanto Kurz, bem consciente da questão ecológica, desmascara simultaneamente os interesses de classe média como ideologia; em Postone, no fundo, existe um “limite interno” apenas no plano da ecologia, mas não no da economia. Continuar lendo Após Postone – Roswitha Scholz

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Post fixo

Fetichismo Sexual – Notas sobre a lógica de feminilidade e masculinidade- Robert Kurz

O sujeito moderno, como é sabido, está tão morto pelo menos como Deus, mas ainda parece viver uma existência zombie, tão irreal como triste e mecânica. Pois afinal também ele faz parte, naturalmente, da constituição vudu da sociedade fetichista ocidental e da sua razão iluminista. E em lado nenhum esse carácter patético do sujeito ilusório há muito falecido parece tornar-se mais evidente do que no debate de género. Esta problemática, talvez a que mais profundamente chegou ao fundo da sua própria constituição, ainda menos pode ser debatida até ao fim pelo pensamento cansado da razão morta-viva do que todas as outras questões da desintegração da modernidade. Os combatentes de ambos os lados de um sexo que se tornou irreal retiraram-se, ao que parece, para o terreno de uma normalidade burguesa que já não é vivida (se este particípio ainda é permitido) como susceptível de ser transcendida. Sobre este terreno infelizmente já bastante devastado e contaminado, estão agora a tentar colocar as suas reivindicações em jogo, continuando a raciocinar como habitualmente, mas com um grau de indiferença que deve aproximar-se da sua condição real. Continuar lendo Fetichismo Sexual – Notas sobre a lógica de feminilidade e masculinidade- Robert Kurz

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Post fixo

Emancipação na crise – Tomasz Konicz

Desde o iluminismo, o núcleo da ideologia capitalista tem sido ideologizar o capitalismo como um modo de produção “natural”, sem contradições e apropriado à natureza humana, como uma formação social que é simplesmente expressão da natureza humana e – o mais tardar desde a ascensão do darwinismo social – que se desenvolve economicamente de acordo com as mesmas leis que os sistemas ecológicos “naturais”. Consequentemente, esta “natureza capitalista” sintética da dominação sem sujeito do capital,15 com os seus níveis mediadores de mercado, política, justiça, indústria cultural etc., é sempre apenas a base, nunca o objecto do discurso publicado das sociedades capitalistas tardias. E é precisamente por isso que a procura de bodes expiatórios, que rapidamente se desvia para o fascismo, ganha tanta popularidade em tempos de crise,16 uma vez que a economia de mercado “natural” é literalmente imaginada como natural, potencialmente sem contradição. Assim, para a pessoa “esclarecida” na sociedade burguesa, o capitalismo parece tão “natural” como o feudalismo parecia dado por Deus ao homem medieval. Continuar lendo Emancipação na crise – Tomasz Konicz

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Post fixo

O esgotamento de Pindorama- André Marcio Neves Soares

Nesse momento de cenário famélico, é preciso estar muito atento ao entorno da política nacional, pois a perspectiva de uma mudança de governo tranquila, de acordo com a vontade dos eleitores, como determina a plena democracia, está bem ameaçada. De fato, os movimentos políticos do atual presidente, junto com o seu séquito de militares instalados em todas as esferas do poder, reforçam os temores dos mais perspicazes de que a transição para um eventual novo governo do PT não será pacífica.Destarte, é imperioso ter em mente os seguintes fatos: Continuar lendo O esgotamento de Pindorama- André Marcio Neves Soares

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