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O crescimento e a crise da economia brasileira no século XXI como crise da sociedade do trabalho: bolha das commodities, capital fictício e crítica do valor-dissociação – Fábio Pitta

Bolsonaro é fruto de seu tempo. Representa a particularidade brasileira para um fenômeno de ascensão de governos de extrema-direita no mundo (SCHOLZ, 2020). Em termos ideológicos, formulou um discurso que relaciona a atual crise econômica brasileira à esquerda composta por “vagabundos corruptos” no poder, que deveriam ser exterminados a partir de agora, já que desejariam “implantar uma ditadura comunista no Brasil”, nada menos plausível depois de 13 anos de Partido dos Trabalhadores no governo federal, sem terem tentado realizar nada perto disto. Desde sua ascensão, Bolsonaro tem promovido reformas que visam acabar com as tentativas de gestão da barbárie (MENEGAT, 2019a) dos governos anteriores, encerrando programas de distribuição de capital fictício possíveis no ápice da bolha das commodities (2002 – 2011, PITTA, 2018), fomentando a expansão da fronteira agrícola sobre o que restou de florestas e reservas indígenas, desmontando a parca seguridade social e leis trabalhistas existentes no Brasil contemporâneo. Sua agenda econômica é qualificada de “ultraliberal”, porém, não exprime nenhum discurso de “retomada” de crescimento econômico, explicitando que até mesmo a extrema-direita parece não acreditar mais nesta possibilidade. Assim, ao nível ideológico, Bolsonaro sintetiza o homem branco ocidental em crise pós estouro da bolha econômica global de 2008: ressentido, conspiratório, narcisista, parte de uma camada média com tendências a amoque social. Após a posse de Bolsonaro, as estatísticas quanto ao número de feminicídios (na maioria das vezes perpetrados pelos próprios maridos ou familiares das vítimas), de assassinatos de grupos excluídos como indígenas, negros favelizados ou encarcerados (pela polícia e grupos de extermínio), de desmatamento criminoso e de suicídios no Brasil dispararam configurando números trágicos (BRUM, 2020). Continuar lendo O crescimento e a crise da economia brasileira no século XXI como crise da sociedade do trabalho: bolha das commodities, capital fictício e crítica do valor-dissociação – Fábio Pitta

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Prologo à Segunda Edição de “O 18 Brumários de Luiz Bonaparte “- Herbert Marcuse*

A república parlamentarista incorre numa situação em que só resta uma escolha à burguesia: “Despotismo ou anarquia. Ela, na turalmente, optou pelo despotismo”. Marx conta a anedota do Concílio de Constança, segundo a qual o cardeal Pierre d’Ailly respondeu aos defensores da reforma dos costumes: “O único que ainda pode salvar a Igreja católica é o diabo em pessoa e vós rogais por anjos”.Hoje nem mesmo o desejo de que os anjos intervenham continua na ordem do dia. Mas como se chegou a essa situação em que a sociedade burguesa só pode ainda ser salva pela dominação autoritária, pelo exército, pela liquidação e traição das suas promessas e instituições liberais? Tentemos resumir o universal que Marx torna manifesto em toda parte nos acontecimentos históricos particulares. Continuar lendo Prologo à Segunda Edição de “O 18 Brumários de Luiz Bonaparte “- Herbert Marcuse*

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O “irrealismo”capitalista de Mark Fisher- André Márcio Neves Soares

No entendimento de Fisher, se a classe operária aceitou a social-democraciacomo uma conciliação de classe, a globalização, com sua sistemática de produção e consumo globais, acabou com essa pacificação. A partir da década de 1980 o que se viu foi o acirramento da batalha entre classes em cada país, com o resultado momentâneo da vitória do neoliberalismo. Fisher ilustra muito bem esse entendimento relacionando o ano de 1984, emblemático por ser o ano da distopia de George Orwell e da viragem feroz do paradigma capitalista com o atentado thatcherista contra os mineiros em nome de uma suposta liberdade. Continuar lendo O “irrealismo”capitalista de Mark Fisher- André Márcio Neves Soares

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Por Marielle!- André Márcio Neves Soares

É preciso perseverar na memória de Marielle. Quando o tempo político mudar, com a esperança damaioria da população, será possível abrir os cadeados que escondem esse duplo crime, infame, e revelar os já conhecidos mandantes, ainda escondidos pelo poderrepublicano investidos no momento. Não deveria ser assim, é fato, mas a democracia, caro leitor, serve a diferentes propósitos para os eleitores (o povo em geral) e para os que são eleitos – os poucos que se consideram excelentes por natureza e isentos de qualquer alcance da lei. Continuar lendo Por Marielle!- André Márcio Neves Soares

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