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Prologo à Segunda Edição de “O 18 Brumários de Luiz Bonaparte “- Herbert Marcuse*

A república parlamentarista incorre numa situação em que só resta uma escolha à burguesia: “Despotismo ou anarquia. Ela, na turalmente, optou pelo despotismo”. Marx conta a anedota do Concílio de Constança, segundo a qual o cardeal Pierre d’Ailly respondeu aos defensores da reforma dos costumes: “O único que ainda pode salvar a Igreja católica é o diabo em pessoa e vós rogais por anjos”.Hoje nem mesmo o desejo de que os anjos intervenham continua na ordem do dia. Mas como se chegou a essa situação em que a sociedade burguesa só pode ainda ser salva pela dominação autoritária, pelo exército, pela liquidação e traição das suas promessas e instituições liberais? Tentemos resumir o universal que Marx torna manifesto em toda parte nos acontecimentos históricos particulares. Continuar lendo Prologo à Segunda Edição de “O 18 Brumários de Luiz Bonaparte “- Herbert Marcuse*

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Uma conversa com Roswitha Scholz

“Assumo que não é apenas o valor como sujeito automático que constitui a totalidade, mas que é preciso ter em igual conta a “circunstância” de que no capitalismo também existem actividades reprodutivas que são realizadas principalmente por mulheres. Neste contexto, “dissociação-valor” significa que, na essência, as actividades reprodutivas específicas das mulheres, mas também os sentimentos, características e atitudes conexas (sensibilidade, emocionalidade, cuidado etc.) são dissociados do valor/mais-valia. As actividades reprodutivas femininas no capitalismo têm assim um carácter diferente do trabalho abstracto. É por isso que não podem ser subsumidas sob este conceito sem mais; são um lado da sociedade capitalista que não pode ser apreendido pelo sistema conceptual marxiano. Este lado está junto com o valor/mais-valia, pertence-lhe necessariamente, mas no entanto está fora dele, sendo ainda assim a sua condição prévia. Valor (mais-valia) e dissociação estão assim numa relação dialéctica entre si. Um não pode ser derivado do outro, mas ambos emergem um do outro. Esta lógica também dá origem à “heterossexualidade compulsiva” (Adrienne Rich), uma vez que outras formas de desejo sexual são per se excluídas e perseguidas como desviantes. A este respeito, a dissociação-valor pode também ser entendida como uma metalógica que se sobrepõe às categorias internas da economia.” Continuar lendo Uma conversa com Roswitha Scholz

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O “irrealismo”capitalista de Mark Fisher- André Márcio Neves Soares

No entendimento de Fisher, se a classe operária aceitou a social-democraciacomo uma conciliação de classe, a globalização, com sua sistemática de produção e consumo globais, acabou com essa pacificação. A partir da década de 1980 o que se viu foi o acirramento da batalha entre classes em cada país, com o resultado momentâneo da vitória do neoliberalismo. Fisher ilustra muito bem esse entendimento relacionando o ano de 1984, emblemático por ser o ano da distopia de George Orwell e da viragem feroz do paradigma capitalista com o atentado thatcherista contra os mineiros em nome de uma suposta liberdade. Continuar lendo O “irrealismo”capitalista de Mark Fisher- André Márcio Neves Soares

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