memórias de tempos vividos! superando o que-já-se-efetivou com a Esperança do que-ainda-não-veio-a-ser ( reflexões ao estilo Ernesth Bloch)

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Projeto Geração 2 Golpes – Modesto da Silveira 

Para conhecer o Projeto Geração 2 Golpes clic aqui 

Um pouco antes de falecer o advogado Modesto da Silveira deu um depoimento para o Projeto Geração 2 Golpes que nós reproduzimos aqui neste  Blog . São as memórias políticas de um dos mais importantes personagens da extensa galeria de brasileiros que  resistiram ao arbítrio da Ditadura Militar de 1964 .

Com este depoimento queremos prestar uma homenagem aos advogados de presos políticos que durante este período escuro da história contemporânea do Brasil desempenharam um importante papel, salvando vidas, retirando dos cárceres uma quantidade incontável de cidadãos que foram alcançados pelas garras dos militares que assaltaram o poder em 1964 .

Modesto, sem duvidas, se destaca entre eles : certamente foi que mais teve clientes e o que mais se movimentou nos tribunais militares, enfrentando de peito aberto os ditadores –  o que lhe valeu  prisões e uma intensa perseguição pelo aparelho repressivo .

A resistência democrática contra a ditadura de 1964 tem na ação dos advogados de presos políticos um papel destacado que ficará para sempre escrito na história do país .

Não é por acaso  que uma grande multidão de pessoas fez  questão de comparecer ao enterro deste grande advogado, para prestar  a ele o tributo que com certeza ele fez por mercer .

Parte 1

Parte 2

Parte 3

Parte 4

Parte 5 – Final

Projeto Geração 2 Golpes – Entrevista com Silas Ayres 

Para conhecer o livro do Projeto Geração 2 Golpes clic aqui 

Silas Ayres de Mattos, nascido em 1945, é um militante e ativista social profundamente integrado  na vida política da cidade do Rio de Janeiro . Oriundo de grupos de resistência democrática das Igrejas Metodistas na época da ditadura militar tornou-se militante do Partido Comunista Brasileiro. Ali, tomou maior contato com o marxismo e através dele orientou sua vida política, que se estendeu até a queda da Ditadura, e nos anos seguintes, no novo quadro político que se formou.

Faz parte de um conjunto de intelectuais e ativistas políticos que impactados com as jornadas de julho  2013 buscam um melhor entendimento das reais características da crise do capitalismo contemporâneo.

Suas ideias sobre a crise brasileira , em um resumo, estão presentes neste video em uma entrevista que recentemente foi organizado pelo Projeto 2 Golpes .

Convidamos você a assisti-la !

Projeto  Geração 2 Golpes – Entrevista com Arlindenor Pedro  Featured

Apresentação do Projeto

Para ter acesso ao livro clic aqui : Geração2Golpes

Será necessário morrer para sobreviver?

A ruptura da democracia no Brasil pode ser uma decepção, mas jamais surpresa para quem acompanha nossa história. Desde o fim da República Velha, em 1930, apenas cinco presidentes eleitos pelo voto popular concluíram o mandato: Eurico Gaspar Dutra, Juscelino Kubitschek, Fernando Henrique Cardoso, Luís Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. Vinte dos mais de 80 anos foram de normalidade democrática, e esta constatação deve assombrar o ministro Ricardo Lewandowski quando lembra que a cada 25 ou 30 anos o país sofre um golpe. Um integrante da mais alta corte de justiça aceita com absoluta naturalidade, até fatalismo, o processo em que desempenhou o papel principal de presidente do Supremo Tribunal Federal.

A partir desta constatação, o projeto “Geração2Golpes” ouviu pessoas que viveram os dois mais recentes: 1964 e 2016, para colher depoimentos, políticos e existenciais, a maior parte de quem se envolveu na luta contra a ditadura. Advogados, ativistas, professores e pelo menos um político e um militar dão sua contribuição aos que buscam entender o desenrolar dos fatos no Brasil atual, no contexto geopolítico mundial e na maior crise do capitalismo pós-globalização da economia.

O Brasil é outro, bem diferente do país subdesenvolvido dos anos da guerra fria; da mesma forma, outro é também o mundo em que vivemos, com as dificuldades próprias advindas tanto da nossa própria trajetória como da geopolítica dos dias atuais. O avanço do capitalismo sobre o mundo não deixa espaço para governos amadores, vacilantes e oscilantes entre a fachada de autoafirmação e a submissão aos interesses do capital internacional.

Aos olhos dos analistas das complexas relações internacionais, o Brasil cresce na economia, mas permanece a terra do patrimonialismo, da desigualdade e da escravidão do século XIX. Não é levado a sério nem mesmo quando reafirma a sua vocação escravocrata e autoritária, como agora, porque os ventos de novos tempos sopram por igual no planeta, independentemente de ambições e projetos pessoais. O capitalismo, dogmático como a religião, cobra adesão total aos seus cânones e dogmas que não preveem novos comensais à mesa e não adianta iludir-se com acenos e promessas, todos irão para o mesmo buraco muito mais rapidamente do que podem imaginar os poderosos ocupados e distraídos em assaltar o tesouro e distribuir entre si o butim.

Não há perplexidade nos depoimentos, mas sim expectativas calcadas na experiência de vida. Em pouco mais de uma hora de conversa gravada em vídeo, cada um dos oito convidados desta rodada inicial do projeto abriu mais do que o baú de memórias, e mesmo quem não arriscou palpites sobre o amanhã deixou patente o ânimo contra a maré conservadora e moralista nesse filme em que somos incidentais, coadjuvantes ou figurantes sem direito a fala no roteiro.

Visões pessoais e distintas coincidem em muitos aspectos e divergem em outros, conceituais ou estratégicos; de toda forma não parece fazer muita diferença no cenário exacerbado que se vê tanto na América do Sul como na Central e na do Norte, na Europa, na Ásia e onde mais os tentáculos do capitalismo grudam ventosas na soberania nacional e na vontade popular. Não há mais bandeira nem hino, nem crença nem fé, que não seja do capital sobre a consciência, e do dinheiro sobre todos os valores. A terra arrasada é o ponto de partida e de chegada, o paradoxo do novo tempo, o admirável mundo novo das vidas descartáveis, dos drones e do genocídio.

Os depoimentos em formato de entrevista podem ser distribuídos entre dois momentos básicos: o que o golpe de 64 significou no tempo da guerra fria e o anticomunismo radical. Modesto da Silveira, Saturnino Braga, Trajano Ribeiro e Ivan Cavalcanti Proença relembram a própria experiência de vida, as emoções daqueles dias conturbados, a dificuldade em lidar com seus desdobramentos. A narrativa de Proença, em especial, pelo papel que desempenhava à época, capitão do Exército servindo junto à presidência da república, e pela dramaticidade dos eventos vividos, carrega em tintas fortes lembranças comuns à história de Cecília Coimbra, psicóloga, militante fundadora do Grupo Tortura Nunca Mais.

Ambos narram o mesmo episódio sob óticas particulares, uma do oficial legalista e outra da estudante encurralada. Por curiosidade, registre-se que ele, aos 85 anos, sonha com a retomada dos princípios de fraternidade; ela, 10 anos mais nova, opta por não fazer previsões, duvidar do sentimento humanista e da mesma fraternidade entre gente que impinge sofrimento deliberado ao semelhante.

Cecília abre o caminho, por assim dizer, ao raciocínio desenvolvido pelos entrevistados finais, Luiz Rodolfo Viveiros de Castro, o Gaiola, e Arlindenor Pedro, antigos militantes da luta armada mais duramente perseguidos e também profundamente marcados pela trajetória brasileira e mundial das décadas mais recentes, a partir de 1989, o fim da União Soviética e a escalada feroz do capitalismo pelo mundo. São dois céticos, como de resto os demais, em graus diferentes de desassombro perante a realidade. Mas mantêm, assim como todos os entrevistados, a esperança permanente, persistente, insistente, na “guerrilha cotidiana” nas palavras de Cecília, trabalho de formiga, micropolítico, mudando o eu para alcançar o outro.

Como saldo dessas conversas iniciais, ficou a indagação; ou antes, a inquietação expressa no alto da página: teremos que morrer para aprender a sobreviver? Retrospectivas e prospecções buscam responder, ou ao menos apontar um sentido, uma lógica, como o leitor constatará na sequência dos depoimentos reunidos neste volume de “Geração2Golpes”.

Assistam ao vídeo com a entrevista de Arlindenor Pedro 

Parte 1 da Entrevista

Parte 2 da Entrevista

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