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Ainda sobre o “milagre chinês” (I)- Maurilio Lima Botelho e Marcos Barreiro

Em vez de explicar esse contexto de crescimento chinês, marcado pela expansão da riqueza em forma monetária, as teorias marxistas residuais se fixam na pura “materialidade” dos processos econômicos. Os investimentos em infraestrutura e no setor imobiliário, após a crise de 2008, aparecem diretamente, do ponto de vista material, como um salto qualitativo em termos de construção da “economia nacional”. Essa orientação, que se volta de modo imediatista para o concreto, seja em termos de positivismo econômico ou de “vontade política”, é incapaz de apreender o desenvolvimento das formas abstratas da riqueza e da dominação que estão no centro da crítica de Marx ao capitalismo.[14] Tanto a mobilização improdutiva de recursos para a produção de infraestrutura quanto o boom imobiliário, porém, são condicionados mais pelo imperativo abstrato da concorrência do que pelas necessidades concretas em termos de “utilidade” ou planejamento. Por meio da orientação “concretista”, a teoria permanece presa a um entendimento tradicional da contradição capitalista, que se limita a opor produção material (Grande Indústria) e propriedade privada. Um entendimento crítico da contradição capitalista teria, por um lado, de se basear na própria forma da produção e da sua contradição interna, na qual “o valor torna-se anacrônico e ainda assim permanece o âmago do capital” (POSTONE, 2018, p.18). Por outro lado, a dinâmica do capital também tem de aparecer como contradição entre a sua compulsão pelo crescimento sem limites e os custos desastrosos desse crescimento do ponto de vista ambiental, isto é, os custos materiais da produção de riqueza abstrata. Continuar lendo Ainda sobre o “milagre chinês” (I)- Maurilio Lima Botelho e Marcos Barreiro

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