Post fixo

Considerações sobre a relação entre a televisão e a sociedade – Anselm Jappe

Uma utopia? Conheci pessoalmente, há vinte anos, na Califórnia algumas pessoas que não eram revolucionárias, mas que tinham decidido tirar o televisor da casa na qual viviam juntas e fechá-lo em uma despensa. Mas acontece que num dia um deles, e em outro dia outro, queria ver “somente determinada transmissão”, e a cada vez o aparelho era reposto em funcionamento. Até que um dia se cansaram, colocaram-no em um jardim sobre um pequeno muro, posicionaram-se a certa distância, tomaram cada um, como bons americanos, o próprio revólver e atiraram todos contra o televisor. Desde então, não se viu mais televisão naquela casa. Continuar lendo Considerações sobre a relação entre a televisão e a sociedade – Anselm Jappe

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Alguns pontos essenciais da crítica do valor – Anselm Jappe

No começo dos anos 1970, um triplo, senão quádruplo ponto de ruptura foi atingido: econômico (visível no abandono da indexação do dólar pelo padrão-ouro), ecológico (visível no relatório do Clube de Roma), energético (visível no “primeiro choque do petróleo”), aos quais se juntam as mudanças de mentalidade e de formas de vida do pós-1968 (“modernidade líquida”, “terceiro espírito do capitalismo”). Assim, a sociedade mercantil começou a chocar-se contra os seus limites, por vezes externos e internos. Continuar lendo Alguns pontos essenciais da crítica do valor – Anselm Jappe

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Os destinos do marxismo – ler Marx no século XXI- Robert Kurz

Quando o Marx clássico examina a História como um todo, no sentido do conceito hegeliano virado materialista de desenvolvimento e de progresso, fá-lo com o conceito de “história das lutas de classes”, assim projectando, portanto, o processo de desenvolvimento e imposição do capitalismo para toda a história anterior. Só com o conceito de fetiche empregado pelo Marx esotérico se torna possível denominar, num nível teórico de abstração mais elevado, uma comunidade de todas as formas sociais até hoje, não simplesmente através de retroprojeções da era moderna: por mais diferentes que as suas relações possam ter sido, nunca houve sociedades autoconscientes ,que pudessem decidir livremente sobre a utilização das suas possibilidades, houve sempre apenas sociedades que foram dirigidas por meios fetichistas dos mais diferentes tipos (rituais, personificações, tradições determinadas pela religião, etc.). Ter-se-ia de falar aqui de uma “história de relações de fetiche”. O moderno sistema produtor de mercadorias, com a sua economia autonomizada irracionalmente, representa, portanto, apenas a última forma de fetichismo social, fustigada pela sua própria dinâmica cega.

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