Não voto ! Arlindenor Pedro 

Como em outras eleições, como já há algum tempo , não irei votar ! Irei exercer a única atitude possível de um cidadão revoltado com a sua sociedade : a desobediência civil!

Ao contrário de muitos amigos que se declaram de esquerda não vejo nenhuma legitimidade nas instituições desta sociedade e seus pretensos canais de representatividade democrática – dentre elas as eleições parlamentares .

Fico sorrindo quando vejo esses amigos se degladiarem na afirmação de quem realmente representa a melhor esquerda – qual o candidato ou candidata que realmente é o melhor administrador, o melhor pai de família, o que tem mais carisma, o que embelezou mais a cidade, etc.

Adestrados pelo sistema  estes personagens o julgam como eterno e buscam meramente torná-lo mais palatável. Não fazem mais política e sim administração pública .

Na realidade, a política, tal como ela nos é apresentada hoje, foi tomada pela economia .

No lugar de ser espaço de grandes confrontos de ideias , se sujeita, agora, aos ditames das relações de mercado, e, inclusive, seus principais protagonistas -os políticos – por força da lógica desta situação, foram reduzidos a meros produtos, para serem consumidos e descartados.

Na outra ponta, também por força desta mesma lógica, vemos os cidadãos-eleitores reduzidos à figura de consumidores, que escolhem suas preferências de acordo com o que dita o marketing político: a melhor postura, melhor imagem, apelos emocionais, etc.

Vejo então, que os candidatos escolhidos pelos meus amigos de esquerda estão todos prisioneiros desta mesma lógica : são incapazes de pensar e agir fora dos conceitos do mercado e todas as suas propostas se fazem dentro de soluções imanentes do sistema, dentro de parâmetros que não levam a superação de uma vida que se tornou impossível de ser vivida dentro dos marcos do capitalismo .

Brigam entre si para ver quem melhor pode administrar um sistema que nada tem a oferecer a espécie humana. Uma esquerda perfeitamente pacificada que é incapaz de ver o capitalismo como o maio inimigo da humanidade, no mundo contemporâneo.

Num quadro como este, ideários que antes faziam parte das propostas da esquerda foram reduzidos drasticamente na obtenção de uma cadeira no parlamento ou na administração de um Estado cuja única função neste momento de crise aguda do capitalismo é garantir a transformação de dinheiro em mais dinheiro, através  da opressão e exploração de  seus cidadãos .

Nenhum pensamento ou palavra dos atuais candidatos que nos levam a pensar diferente, em um outro tipo de relação social que nos tire deste sofrimento, de ver nossos semelhantes cada vez mais embrutecidos caminharem celeremente para a barbárie .

Infelizmente a esquerda na contemporaneidade tornou-se incapaz de astuciar o futuro ! Tornou- se velha, patética, sem legitimidade, pelos erros que cometeu no poder, para barrar o avanço das forças conservadoras no país .

Sei que minha atitude de hoje de não votar ainda é minoria e não faz parte ainda de uma ampla consciência de se antepor a este sistema com a desobediência civil. Mas creio que agravamento da crise e as ações cada vez mais coercitivas do Estado contra seus cidadãos nos levará a momento em que a todos não restará mais nenhuma saída : a de se insurgir e recusar a viver uma vida de migalhas do capital .

Desobedecer hoje negando as eleições, desobedecer amanhã negando este sistema . Não votar é mais do que nunca um ato de cidadania. Basta !

2 comentários sobre “Não voto ! Arlindenor Pedro 

    1. Não votar, significa não ir as urnas, não comparecer . Se feito de forma consciente é uma desobediencia civil . Trata-se de um direito legítimo do cidadão. A legislação no Brasil diz que o voto é obrigatório e isto é uma incoerência, dentro do espírito democrático. É diferente de comparecer e votar em branco ou nulo, pois aí, embora também seja uma forma de protesto,trata-se-ia, no nosso entendimento, de um ato incompleto. Ao não comparecer o cidadão está sujeito a uma multa de cerca de 3 reais . Fica a critério de cada um, de acordo com suas necessidades, pagar ou não . Não votar não tem qualquer relação com o consciente eleitoral. Na verdade, nós estamos poucos acostumados a usar o instituto de desobediência civil como forma de luta, mas os grandes movimentos de transformações começaram por aí . A história está cheia de exemplos …

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