Nada Mais Impede – Um desabafo de Rosa Fonseca 

Essa é uma história que está pra ser contada.

No Brasil, na década de 70, muitos presos. Inúmeros perseguidos. Vários eliminados. Outros constavam de listas para desaparecer. E, até hoje, nossos desaparecidos não foram encontrados.

Deslocar, reunir, criar, expor, compor, refletir em grupo, encontrar, festejar e lutar eram verdadeiras proezas e, por causa disso, as iniciativas exitosas eram bastante comemoradas.

Numa tarde, ao retornarmos de uma dessas atividades, encontramos com amigos num local clandestino. Uma festa começou a se insinuar e, em seguida, se manifestou em plena reunião clandestina.

Mas, um alerta soa estranho no ambiente. A preocupação partiu de um companheiro da diretoria da UNE. Afirmava ele que a nossa luta corria o risco de ser em vão.

O espanto foi geral. Sua explicação mexeu muito conosco. Sua advertência veio acompanhada de uma simplicidade demonstrativa a toda prova. Para ele o nosso combate se restringia à expressão política do sistema, ou seja, à Ditadura Militar. E ele nos instigava, ao insistir, que estava em curso uma substituição da ditadura como comprovavam os sinais lentos, graduais e seguros em andamento. Corríamos o risco, dizia ele, de ficarmos à deriva e nos constituirmos apenas em meros coadjuvantes.

Palavras proféticas. A reciclagem do regime deu na Nova República. E, como não havíamos acumulado os elementos fundamentais para uma ruptura anti-ditatorial, acabamos desarmados diante da transição transada.

Mas, as não apreciações críticas dessas limitações persistiram. As incorreções não superadas frente à ditadura se revelaram inconsistentes contra a Nova República e suas diversas expressões políticas.

Agora, que elas deram n´água, acompanhando o colapso da modernização e da pós-modernização, impõe-se a adoção de medidas urgentíssimas para fundamentarmos uma nova teoria emancipatória com sua práxis correspondente.

Ainda mais agora, que a nova crise mundial e brasileira constitui a configuração do limite interno e externo do sistema. No entanto, continuamos insistindo em enfrentar e superar a crise com seus administradores à esquerda e à direita, esquecendo novamente que eles constituem a expressão política do moderno sistema patriarcal fetichista produtor de mercadorias, o capitalismo.

Isso ganha um relevo decisivo, principalmente nesse momento em que o combate à corrupção e a luta por uma inovadora transformação social e ambiental caminham em paralelo.

A junção de ambas pode possibilitar um salto qualitativo na nova compreensão definitiva da diferença substancial entre revolução e emancipação. Revolução é desprovida da crítica categorial. Emancipação nela se fundamenta. Uma se desenrola na forma capitalista. A outra a suplanta. Uma se mantém presa à imanência. A outra vai para muito além.

As investigações em Curitiba estão gerando uma quantidade imensa de informações que compõem um amplo e imprescindível quadro para um combate eficaz à corrupção.

As informações críticas acerca do fracasso frente à crise em andamento, que ensejaram inúmeras lutas imanentes ao sistema, estão fornecendo uma impressionante riqueza de elementos que, bem refletidos com base numa fundamentação inovadora, nos possibilita superarmos a crise com a suplantação do capitalismo e a conquista da emancipação humana.

Um poeta já nos alertava que não adianta brigar com os galhos. É indispensável perceber e focar bem que é na raiz e tronco que está o coringa do baralho.

Quando jovens se reúnem nas praças para festejarem e buscarem uma nova razão pra viver e são reprimidos, uma sinalização emancipatória floresce.

Estamos em plena primavera. E é decisivo que agora já milhões dessas novas flores floresçam.

Há que apostar que elas não se embaracem com as expressões políticas do sistema e abracem destemidas, com tesão e paixão, a alegria de viver numa nova sociedade.

Assistam aqui uma entrevista de Rosa da Fonseca a uma emissora do Ceara

                                                                                                                                                                                             img_0217

Rosa Fonseca é um ativista libertária cearense . Com outros amantes da luta pela emancipação humana criou o Grupo Critica Radical do Ceará – um dos mais atuantes grupos de ativismo social do país .

 

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