Mensagem aos amigos e amigas do Crítica  Radical !

A confiança no capitalismo já se mistura com o pânico diante de sua crise atual que gera insegurança ao apontar para o colapso do sistema.

A anterior recusa à ideia de um limite interno e externo da valorização do capital começa a evidenciar sua superficialidade e, com isso, o chamamento para a sua superação ganha expressividade.

 

Evidencia-se que essa recusa em se ocupar com a crítica radical da crise, no momento em que começava o processo da nova crise, foi um erro colossal.

 

Com isso cresceu a preocupação de que o abalo não é só econômico e ambiental e tem uma causa mais profunda.

 

Essa causa ficou, até aqui, quase desconhecida. Hoje, seu redimensionamento, teórico e prático, pode virar pelo avesso a pré-história humana.

 

Quando descobrimos e apresentamos seu fundamento, fomos interpretados como profetas do caos. Agora, diante do seu reinado, há saída?

 

Estamos achando que chegou o momento para essa enorme conquista. A crítica radical da crise, por ser uma nova ideia no mundo, possibilita pensar, existir e lutar por um conteúdo verdadeiramente emancipatório do capitalismo.

 

O pensar descortina uma nova reflexão. O existir impulsiona uma nova visão coletiva para viver uma vida plena de sentido. A luta incentiva a buscar, diariamente, uma nova relação social e com a natureza, uma nova sociedade. Isso contribui para que se forjem profundos e fraternais sentimentos e laços humanos e ambientais com valiosas pessoas aqui e no mundo.

 

Antes, voamos quando os caminhos não estavam traçados. Hoje, o novo caminhar/voar para a emancipação humana já não é uma impossibilidade.

 

Avizinha-se o momento de substituirmos o capitalismo, que é o próprio ventre do terror, pela sociedade da emancipação humana. Assim, a sociedade do espetáculo fica suplantada e a barbárie será varrida da face da terra.

 

Como antissujeitos podemos iniciar nossa caminhada para encerrarmos o cântico das mercadorias e suas paixões. De agora em diante já podemos cantar o ser humano e sua emancipação.

 

Nunca houve um período da história da humanidade em que a vontade consciente dos seres humanos tenha tido uma importância tão decisiva como tem agora na suplantação do moderno sistema fetichista patriarcal produtor de mercadorias.

 

Amigos e Amigas, vamos construir uma nova história sem relação fetichista, de exploração, dominação e discriminação, racista, homofóbica, genocida, ecocida e patriarcal capitalista! Essa façanha histórica convida você.

 

2016 pode ser o prenúncio de uma nova época para a humanidade e o planeta.

 

Um grande abraço!

 

Crítica Radical

9 comentários sobre “Mensagem aos amigos e amigas do Crítica  Radical !

  1. De modo geral, eu concordo com as análises da Crítica Radical e dos Ensaios e Textos Libertários, de fato, a crise do capitalismo está corroendo a sociedade, as relações sociais, os valores de solidariedade e a perspectiva de futuro da humanidade, talvez, de maneira mais intensa e destrutiva do que em outros períodos históricos do capitalismo. Aprecio e me identifico com as análises do Robert Kurz e do Arlindo Pedro. A minha pergunta: como viabilizar uma alternativa emancipatória, capaz de educar as pessoas, de acordo com valores diferentes da mercantilização da vida que predomina no capitalismo e como pensar uma humanidade diferente daquela caracterizada pelos filósofos mais pessimistas quanto à “natureza humana”?

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    1. Sonia ,

      Acredito que cada momento histórico , fruto das relações econômicas que os homens criam, gera um tipo próprio de ” sujeito”. Isto é : por exemplo , o homem da Renascença , o seu padrão típico , é completamente diferente do homem da contemporaneidade – o homem da sociedade da mercadoria .

      Esta sociedade gerou um sujeito burguês , com características visíveis : narcisista, individualista, racista, inseguro, violento, consumista e progressivamente esvaziado de valores oriundos de outras eras, que poderíamos dizer civilizatórios . Este sujeito , completamente tomado pela dominação abstrata do sistema produtor de mercadorias está levando a humanidade ao seu limite histórico e através da barbárie pode nos levar a extinção .

      Mas , acredito também , que mesmo dentro do sistema social em que nos encontramos , dominado pelo fetiche da mercadoria, existem janelas de escape que podem ser alcançadas através da teoria e de uma práxis que construa um ” antisujeito ” , através da negação dos elementos objetivos e subjetivos do capitalismo . Advém daí a caraterística negativa ( no sentido dialético ) dos textos e das ideias que posto neste blogue.

      Creio que a única saída para a humanidade , em vistas da gravidade do momento que vivemos , é o combate radical e sem tréguas a todas as manifestações deste sujeito burguês , que vive na sociedade e mesmo em nós . Tendo como elemento condutor a prospecção através da ciência ( e o marxismo é um dos elementos para isto, além de outras vertentes teóricas, como a psicanálise, antropologia, etc ) e desta práxis a que me referi anteriormente , talvez possamos barrar o processo enlouquecido desta dominação abstrata gerada pelo capitalismo e possamos sair desta rota de extinção .

      A construção do antisujeito, portanto, torna-se imperiosa ( penso eu ) !

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      1. Obrigada por responder. Eu concordo com a ideia de que não se pode pensar num ser humano abstrato, atemporal e a-histórico, conforme a teoria liberal e a concepção que fundamenta diferentes religiões e, nesse sentido, concordo com a posição materialista dialética de que o ser humano é histórico, produto das condições materiais da produção e reprodução de sua existência. No entanto, acho que há uma dimensão que se pode denominar de “condição” ou “essência” humana que necessita de outros elementos explicativos, além dos fatores econômicos, sociais e políticos e que, talvez, seja da esfera da antropologia na questão da relação entre natureza e cultura. Mas, essa discussão não invalida o seu ponto de vista, com o qual, eu concordo, no que concerne ao combate radical do sujeito burguês “livre” e “igual”, na dominação abstrata do sistema produtor de mercadorias e do fetiche da mercadoria. Assim, creio que a grande “tarefa” histórica e revolucionária do momento é contribuir para o desenvolvimento de uma mentalidade anticapitalista, encarnada no “antisujeito” burguês. Gostaria de reafirmar o meu apreço e concordância com as suas posições políticas.

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        1. Pois é Sonia ,

          Eu tenho a mesma preocupação que você em querer elucidar este problema , ou seja esta dimensão ou essência a que você se referiu . Estou muito animado pois vi que nos últimos tempos alguns teóricos da Crítica da Radical do Valor no debate sobre o Sujeito e o Antisujeito estão estreitando os seus laços com a Antropologia e mesmo correntes da Psicanálise ( A Revista Exit fez recentemente um Seminário , na Alemanha, sobre isto ), áreas do conhecimento humano que podem contribuir nesta questão

          Fico feliz em ver que você crê ” que a grande “tarefa” histórica e revolucionária do momento é contribuir para o desenvolvimento de uma mentalidade anticapitalista, encarnada no “antisujeito” burguês. ”

          São ainda muitas poucas pessoas que pensam assim, pois para que esta concepção aflore ela tem que vencer o debate teórico com a esquerda tradicional , presa as amarras do pensamento positivista e sedimentar uma práxis emancipacionista junto aos movimentos sociais, que devem apontar um rumo anticapitalista as suas lutas.

          Este blogue está a sua disposição. Ele existe para isto .

          Abraços ,

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          1. oi Arlindenor, você se referiu à esquerda tradicional, concordo com a sua crítica, no que se refere ao positivismo nela impregnado, ao qual, eu acrescentaria o seu apego ao poder, a tendência ao dogmatismo e ao sectarismo, o vanguardismo, as disputas internas, visando o poder, o personalismo das lideranças, a vaidade, a busca de reconhecimento, ausência de crítica às suas práticas, a formação de grupelhos com interesses específicos, o autoritarismo, etc. Porém, a “esquerda tradicional” contém um enorme espectro de tendências e posições que abrange desde o reformismo da socialdemocracia até propostas de revolução proletária, de acordo com o modelo leninista. Acho que a crítica também é diferenciada, mesmo que as características acima mencionadas perpassem todas elas. Bem, o que resta? Acho que a crítica ao capitalismo, a crítica a todas as formas de preconceitos e discriminações de raça, gênero, etc. a busca da igualdade social, os movimentos sociais, organizados de maneira horizontal, um trabalho intelectual e político no sentido de desenvolver valores que contradizem esses que fundamentam e reproduzem cotidianamente a lógica de acumulação capitalista, e uma grande atenção às demandas da juventude que busca construir um mundo melhor. Acho que conheci esse blog, logo após as jornadas de junho, pois, eu escrevi um texto enaltecendo o movimento inicial, quando então, a esquerda tradicional o criticava, devido ao seu caráter difuso e horizontal e eram, justamente, esses aspectos que traziam uma “novidade política” que colocava em questionamento o “discurso competente” da esquerda tradicional. Naquele momento, me veio à memória as análises de Castoriadis e os movimentos autonomistas da década de setenta, bem como, o caráter instituinte dos movimentos sociais num contraponto radical à prática e à teoria que justificam ideologicamente o poder instituído para promover reformas de curto alcance no enfrentamento da desigualdade social.

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            1. Olá Sonia ,

              Você trás uma questão que a mim parece crucial , e que nos remete a seguinte pergunta : porque , a despeito do enfrentamento desde o nascedouro do capital ( e já lá vão cerca de 300 anos ), de ter construído uma vastíssima obra teórica de procura do entendimento deste modo de produção ( capitalista ) , os inúmeros movimentos sociais não conseguiram ir além do que retirar dele concessões, mantendo – se sempre dentro dos marcos categorias por ele traçado : Estado, trabalho, mercado , dinheiro , trabalho abstrato, valor , patriarcalismo, racismo , xenofobia, competição econômica, etc.

              É verdade que as concessões retiradas ao sistema capitalista não foram poucas : redução das horas trabalho, acesso ao bens de consumo , educação, previdência , saúde , e muitas outras . Mas, repito : se mantiveram os pilares essenciais do capital, a saber : o Estado, o mercado, o trabalho . Na verdade, supunha-se que trocando de mãos o controle do Estado ( no caso com com o controle da classe operária dos bens de produção ) o trabalho gerado geraria um mercado para todos e o homem alcançaria a sua emancipação e o capitalismo deixaria de existir .Hoje, sabemos que isto não aconteceu . Os Estados do” socialismo realmente existente “ foram apenas Estados de um tipo de capitalismo de estado – e soçobraram. Hoje, com o colapso da expansão capitalista , mesmos os Estados onde se firmou o pacto de “ bem estar social” estão retrocedendo é tudo que foi alcançado está em perigo.

              O que existe de comum então em todas as correntes de esquerda ? Elas trabalham com categorias , que a meu ver, precisam ser abandonadas . Todas as correntes veem o modo de produção industrial como um processo técnico e, portanto,que poderia ser reproduzido numa sociedade pós capitalista; veem o proletariado como o sujeito da história e portanto a vanguarda desta nova sociedade ; veem a burguesia como o sujeito da exploração e não percebem que o capitalismo é um sistema de dominação abstrata criada pelo próprio homem, portanto sem sujeito ; veem o mercado como trans histórico e que portanto existiria numa nova sociedade emancipada ; veem também o trabalho como trans histórico e o único formador de riquezas e fazem a crítica ao capitalismo não aos seus fundamentos mas na forma injusta da distribuição das riquesas .

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              1. Eu tenho muitas dúvidas sobre o legado que deve ser abandonado ou superado da esquerda tradicional, em princípio, concordo que as categorias clássicas com as quais ela opera, devem ser constantemente questionadas, como bem você expôs: Estado, mercado, desenvolvimento técnico e industrial, etc. Sobre essa questão, vale considerar a leitura do marxismo que se tornou hegemônica, no século XX, que privilegia o desenvolvimento das forças produtivas, como elemento determinante do processo histórico. Mas, também, existiram e existem muitas vozes dissonantes em relação à essa concepção de progresso econômico, industrial e tecnológico, dentro desse amplo campo, ao qual, podemos denominar de esquerda e/ou marxista.Concordo que as concessões retiradas ao capitalismo são progressistas, mas nunca romperam com o sistema de acumulação e reprodução do capital, sendo até necessárias ao próprio capital, uma vez que, este necessita, constantemente, de mercados consumidores, e não por acaso, o keynesianismo, associado ao fordismo e ao Estado de Bem Estar Social, ofereceram uma solução por um certo período e num determinado espaço para a crise que ameaça constantemente esse sistema de produção. Quanto ao caráter abstrato da dominação capitalista, eu tenho dúvidas, pois, embora o capitalismo produza, cada vez mais, uma riqueza abstrata, através do chamado capital fictício e do trabalho imaterial, não sei se é a esses aspectos que você se refere, eu acho que a presença dos sujeitos históricos, corporificados nas classes sociais, é fundamental no processo de produção e dominação capitalista, assim, acho que a sociedade de classes é uma das características essenciais do capitalismo, embora, a configuração das classes mudem e se complexifiquem na atualidade. Eu gostaria de aprofundar um estudo sobre esse tema no Brasil atual. Você tem alguma dica de leitura?

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                1. Nós , junto com a BoiTempo Editorial trouxemos ao Brasil , recentemente, o pensador marxista, canadense, da Universidade de Chicago , Moishe Postone para participar de algumas palestras e debates em Fortaleza, São Paulo e Rio de Janeiro . Foram momentos importantes onde ele nos apresentou o seu livro , já um clássico , bastante conhecido no mundo anglo saxônico, “ Tempo,Trabalho e Dominação Social” .Embora o livro tenha mais de vinte anos de edição só agora chegou no Brasil , com esta recente edição . Ali ele faz uma releitura de Marx polemizando com o chamado “ marxismo tradicional .Neste blogue nós publicamos vários posts sobre o assunto como https://arlindenor.com/2015/02/15/repensando-a-critica-de-marx-ao-capitalismo-moishe-postone/, e outros . Em procura – se digite Moishe Postone e veja o que aparecerá . Postone é um clássico e abre caminhos para o avanço da própria Critica Radical do Valor , mostrando o caráter abstrato da dominação capitalista e o erro categorial na leitura de Marx pela a esquerda do movimento operário . Sua obra nos permite fazer uma análise da realidade brasileira trabalhando com outros parâmetros , fora dos tradicionais …

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                  1. Bom dia, Arlindenor,
                    Eu me lembro quando o Moishe Postone veio ao Brasil, eu li um artigo dele e também uma entrevista no Blog da Boitempo, me lembro que gostei, vou pesquisar o blog que você indicou, também para conhecer melhor a Crítica Radical do Valor. Quando li o artigo desse intelectual, tive a impressão que havia uma certa similitude com as teorias do David Harvey, não? Talvez, a aproximação se dê pela empreitada de fazer uma releitura do referencial teórico marxista para a compreensão das contradições atuais do capitalismo. Acho que há uma forte tendência, por parte de intelectuais renomados e de diferentes tradições acadêmicas e políticas, de atualizar o marxismo e de resgatá-lo numa outra perspectiva diferente dos modelos consagrados pelas práticas e teorias hegemônicas do século XX.
                    Grata pela dica!

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