A Aliança dos Guadiões da Amazônia – Gert-Peter BRUCH

Brasília, 14 de abril de 2015, em frente ao Congresso Nacional, o apelo à aliança dos guardiões da mãe natureza: da esq. à dir.: caciques Pirakuman Yawalapiti, Txicao, Aritana Yawalapiti, Raoni Metuktire, Davi Yanomami, Afukaka Kuikuro e Tabata Kuikuru.

  Os cacique Raoni (povo Caiapó), Davi Kopenawa (povo Ianomâmi), Aritana e Pirakuman (povo Yawalapiti), e Afukaka e Tabata (povo Cuicuro), tradicionais chefes da Amazônia, possuidores de grande sabedoria, guardiões do maior “pulmão verde” do planeta, selaram um pacto em Brasília durante uma grande mobilização indígena cujo objetivo é preservar os seus direitos arduamente adquiridos, ameaçados pela lei do mercado.

Enquanto na América do Sul se comemora o Dia do Índio (19 de abril), esses grandes representantes anunciam em conjunto a criação em breve de uma aliança internacional, que será lançada oficialmente durante a COP 21 e permitirá criar laços duradouros entre povos tradicionais espalhados pelos quatro cantos do mundo e que enfrentam os mesmos desafios.

A COP 21, Conferência de Paris sobre mudanças climáticas ocorrerá nessa cidade entre 30 de novembro e 15 de dezembro deste ano e acolherá mais de 180 chefes de Estado.

Apanhados por uma realidade que eles se recusam a ver e ouvir por razões econômicas, os dirigentes devem decidir o destino do planeta…sem levar em conta os avisos e alertas daqueles que sabem escutá-lo e explorar seus recursos sem deteriorá-lo de maneira incontrolável.

Desmotivados pelos fracassos de cúpulas anteriores similares, grandes Chefes da Amazônia irão assim lançar uma aliança própria fazer um apelo aos povos indígenas e guardiões da natureza e do planeta para que os acompanhem. Essa “aliança de guardiões da mãe natureza” é o sonho de vida para o cacique Raoni Metuktire, chefe indígena da Amazônia brasileira famoso no mundo todo por sua luta em defesa do povo caiapó, dos povos indígenas e dos “pulmões verdes” do planeta. Raoni Metuktire, um dos maiores representantes internacionais da proteção do planeta atualmente, idealiza essa grande união como o surgimento de um legado dos guardiões do planeta para as futuras gerações, uma ideia compartilhada pelos chefes que já se uniram a ele para ajudar a construir esse projeto.

Depois de haver participado da unificação de territórios indígenas do Xingu (estados do Mato Grosso e Pará), da criação da maior reserva de floresta tropical protegida do mundo (180 000 km2) e da sensibilização da opinião pública mundial à causa indígena e ao problema do desmatamento, o cacique Raoni espera que essa aliança possa contribuir à preservação de todos os povos e ambientes ameaçados do planeta. Há muito tempo o cacique Raoni sonha que sua mensagem de união e aliança entre os povos nativos e todos aqueles que protegem o planeta seja ouvida e que isso ajude a transmitir um roteiro viável para o futuro da humanidade e do planeta que a acolhe.

Acompanhado de grandes chefes que já se uniram a ele e de outros que o farão nesse meio tempo, além do seu sobrinho e fiel discípulo cacique Megaron Txucarramãe, e de outros apoios incondicionais, ele aproveitará a ocasião da COP 21 para fundar essa sonhada aliança e ajudar a criar de maneira contínua elos permanentes entre os povos nativos de todos os continentes, ameaçados pelas pressões econômicas e demográficas que agravam as mudanças climáticas, por serem os mais eficientes em lançar alertas mas também as primeiras vítimas dessas alterações.

Um dos primeiros desafios dessa aliança será o de lançar fortes propostas para salvar as florestas nativas. Elas são o resultado de milhões de anos de criatividade dos seres vivos, laboratórios naturais incalculáveis e insubstituíveis. A humanidade usufruiu de benefícios consideráveis da parte ínfima que foi estudada. Além disso, a destruição dessas florestas não é apenas um fator agravante do aquecimento climático, pois também gera pobreza ao privar as populações locais dos seus recursos alimentares.

À medida que o desmatamento das três últimas grandes florestas do planeta (Amazônia, Indonésia e África equatorial) se aproximam do irreversível, e que esses “pulmões verdes” estão a um passo da asfixia, os aliados esperam causar impacto na COP 21 e mais além. Proteger e apoiar os povos nativos é preservar os últimos ambientes naturais do planeta, que eles defendem numa luta crucial.

Essa luta pela aplicação real dos direitos desses povos, constantemente desrespeitados, está ligada de maneira intrínseca à preservação de seus territórios e diversidade cultural. Essa luta que está longe de terminar, não pode ser vencida sem reforços. É necessária, em resposta, uma mutualização de iniciativas de resistência, mas também uma coparticipação por parte dos recursos e forças disponíveis.

Se o cacique Raoni colocou como primeira pedra, ou raiz, as linhas principais da aliança que ele deseja iniciar, cabe a ela traçar o resto de maneira coletiva. A aliança é uma árvore da vida que tomará forma aos poucos para conectar as iniciativas de preservação ou de desenvolvimento que têm como objetivo reinventar o futuro.

Para crescer e se fortalecer, essa “aliança de guardiões da mãe natureza” articulará sua estratégia em torno de quatro eixos: a luta pelo reforço cultural, luta política, luta jurídica e luta midiática.

Esse último fator é determinante pois, para conseguir contornar os interesses econômicos cada vez mais onipresentes, será necessário sensibilizar a opinião pública internacional, a única capaz de influenciar governos e empresas.

O futuro não será construído baseado em uns contra outros, mas com os outros. É o que virão explicar, durante a COP 21, os grandes chefes unidos que serão, segundo desejam, seguidos por outros conhecidos representantes indígenas da Amazônia, África equatorial, Indonésia, Austrália e do Canadá, com o apoio de aliados trabalhando em prol da natureza e também de personalidades internacionais. Unidos por uma aliança inédita, à qual estarão associadas figuras mundialmente reconhecidas pelo engajamento em favor da proteção do planeta, esses protetores da Mãe Terra apresentarão em conjunto propostas firmes para o futuro.

Author : Gert-Peter BRUCH

Publicado em Raoni.com

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