Sionismo, antisemitismo e a esquerda – uma entrevista com Moishe Postone 

Para os nossos leitores trazemos um debate atual sobre a constatação da  existência de um caráter antisemita  nas ações da esquerda contemporânea .

 

É comum verificarmos, junto com a inquestionável necessidade de se denunciar o caráter fascista da política do Estado de Israel  frente ao povo palestino, esta critica ser acompanhada de uma postura de exigência da extinção do Estado de Israel e a negação do direito de autodeterminação do povo judeu . Com frequência partidos e correntes de esquerda fazem coro com estas propostas,  geradas nas entranhas mais retrógradas das correntes reacionárias de direita, imputando  a esse povo a responsabilidade dos males que o capitalismo trouxe a toda o mundo contemporâneo ,   com o seu insano modo de produção. Desenvolvem , assim  uma uma postura de xenofobia, à reboque do fascismo, incompatível para quem deseja a emancipação da humanidade.

 

Postone é um académico marxista radicado na Universidade de Chicago. Além de escrever abundantemente acerca da crítica da economía política de Marx, tem sido fundamental no desenvolvimento de teorias sobre o “antisemitismo  de esquerda”, analisando a forma como posições assumidas por grupos de esquerda, particularmente no que se refere ao conflito Israel/Palestina, podem tornar-se,ou ser baseadas,numa  hostilidade para com povo Judeu, como um todo . Acredito que esta entrevista nos trás esclarecimentos sobre tal questão , para uma abordagem mais precisa do que é o anti semitismo e a postura  equivocada que a esquerda tem tido sobre tão  importante problema  .  

 

Arlindenor Pedro 

Para muitas pessoas na esquerda de hoje, o antisemitismo  parece ser apenas mais outra forma de racismo, indesejável mas por enquanto francamente marginal, e que é proeminente nas discussões apenas porque o governo israelita utiliza as acusações de anti-semitismo  para defletir as críticas que enfrenta. O senhor argumenta, contudo, que o antisemitismo é diferente das outras formas de racismo, e que o mesmo não  é marginal hoje em dia. Por que ?
Moishe Postone: É verdade que o governo israelita utiliza as acusações de antisemitismo  para se proteger das críticas. Mas isso não  significa que o próprio anti-semitismo não  seja um problema sério
A forma como o antisemitismo se distingue, e deve ser distinguido, do racismo, está ligada ao tipo e poder imaginário, atribuído aos Judeus, ao sionismo e a Israel, que está no âmago do antisemitismo. Os Judeus são  vistos como constituindo de uma  forma global de poder imensamente poderosa, abstrata e intangível que domina o mundo. Não  existe nada semelhante a esta ideia no cerne das outras formas de racismo. O racismo, por aquilo que conheço, raramente constitui um sistema integral que procura explicar o mundo. O antisemitismo é uma crítica primitiva do mundo, da modernidade capitalista. A razão  porque o considero particularmente perigoso para a esquerda é precisamente porque o anti-semitismo possui uma dimensão  pseudo-emancipatória que as outras formas de racismo raramente apresentam.
Em que medida o Senhor considera que o antisemitismo de hoje está ligado com atitudes face a Israel? Parece-nos que uma corrente na atitude de algumas forças da esquerda em relação  a Israel tem implicações antisemitas. Essa é a corrente que deseja não  apenas criticar e mudar a política israelita face os palestinos , mas a aboliçao  de Israel enquanto tal, e um mundo onde os outros estados-nação  possam existir, mas não  Israel. Deste ponto de vista, ser um judeu, sentir qualquer identidade comum com outros Judeus e, portanto, com os Judeus de Israel, significa ser “sionista”, algo que será tão  aberrante como ser um racista.
– É preciso desagregar muitas coisas  neste âmbito. Existe uma espécie de convergência fatal num  número de correntes históricas na forma contemporânea de antissionista.
Uma, cujas origens não  são  necessariamente antisemitas, tem as suas raízes nas lutas entre membros da intelligentsia judaica na Europa do Leste no início do século XX. Uma maioria de intelectuais judaicos, incluindo intelectuais secularizados, sentiam que alguma forma de identidade colectiva fazia parte da experiência judaica. Esta identidade tornou-se crescentemente definida como nacional, em virtude do colapso das anteriores formas imperiais de coletividade; isto é, a medida que os impérios antigos, os impérios dos Habsburgo, Romanov e Prússia se desmembravam. Os Judeus na Europa do Leste, ao contrário dos Judeus na Europa Ocidental, viam-se a si mesmos como uma coletividade, e não  simplesmente como uma religião .
Existiam várias formas desta auto-expressão nacional judaica. O sionismo foi uma delas. Havia outras, como os autonomistas culturais judaicos e o Bund, um movimento socialista autónomo dos trabalhadores judeus, muito maior do que quaisquer outro movimento e que saiu  do Partido Operário Social-Democrata Russo nos primeiros anos do século XX.
Por outro lado, havia Judeus, muitos deles membros de Partidos Comunistas, que viam qualquer expressão da identidade judaica como um anátema para as suas noções do que eu chamaria noções iluministas abstratas de humanidade. Por exemplo, Trotsky, numa fase inicial, referiria-se ao Bund como “sionistas enjoados”. Note-se que a crítica do sionismo aqui nada tinha a ver com a Palestina ou a situação  dos Palestinos , uma vez que o Bund se focava na autonomia no Império russo e rejeitava o sionismo. Ao invés, a equação  de Trostky do Bund e o sionismo implicava a rejeição  de qualquer forma de autoidentificação comunitária judia. Trotsky, acho, mudou de opnião  posteriormente, mas essa atitude era francamente típica. As organizações comunistas tendiam a se opor fortemente ao nacionalismo judeu, quer se tratasse do nacionalismo cultural, nacionalismo político ou sionismo. Esta é uma das correntes do antissionismo. Não é necessariamente antissemita, mas rejeita a autoidentificação coletiva judia em nome de um  universalismo abstracto.
Todavia, frequentemente, esta forma de antisionismo   é inconsistente, pois visa conceder a autodeterminação nacional à maioria de povos, salvo aos Judeus. É neste ponto que aquilo que se apresenta como universalismo abstrato torna-se ideológico. Para além disso, o próprio significado desse universalismo muda com o contexto histórico. Após o Holocausto e o estabelecimento do Estado de Israel, este universalismo abstrato serve para velar a história dos Judeus na Europa. Isto cumpre uma dupla função “purificadora”: a violência historicamente perpetrada pelos  Europeus sobre os Judeus é apagada; ao mesmo tempo, os horrores do colonialismo europeu agora são  atribuídos aos Judeus. Neste caso, o universalismo abstrato expressado por muitos antissionistas hoje torna-se numa ideologia de legitimização  que ajuda a constituir uma espécie de amnésia relativamente à longa história de ações, políticas e ideologias europeias face os Judeus, enquanto essa história, no essencial, continua. Os Judeus, mais uma vez, tornaram-se no objeto singular da indignação  europeia. A solidariedade que a maioria de Judeus sentem em relação  a outros Judeus, incluindo em Israel, compreensível depois do Holocausto, é agora criticada. Esta sorte de antissionismo tornou-se numa das bases para um programa com vista a erradicar a autodeterminação judia existente. Converge com algumas formas de nacionalismo árabe, agora codificada como singularmente progressista.
Outra corrente da esquerda antisemita , desta vez fundamentalmente  antisemita , foi introduzida pela  União  Soviética, particularmente nos julgamentos fantoche na Europa Oriental após a Segunda Guerra mundial. Isto foi particularmente dramático no caso do julgamento de Slansky, quando a maioria dos membros do Comité Central do Partido Comunista Checoslovaco foram julgados e depois fuzilados. Todos as acusações  contra eles eram  antissemitas: eles careciam de raízes, eram cosmopolitas e faziam parte de uma  conspiraração  global geral. Já que a União  Soviética nao  podia oficialmente usar a linguagem do antissemitismo, a palavra “sionista” começou a ser utilizada com o mesmo significado ao do “judeu” utilizado pelos  antissemitas. Esses líderes do PC Checoslovaco, que nada tinham a ver com o sionismo, pois a maioria deles eram veteranos da Guerra Civil espanhola, foram fuzilados como sionistas.
Esta corrente de antissionismo antissemita foi importada para o Próximo Oriente durante a Guerra Fria, em parte pelos  serviços de inteligência de países como a Alemanha Oriental. Foi introduzida uma forma de antissemitismo que era considerada “legítima” pela  esquerda, e designada por antissionismo.
As suas origens nada têm a ver com o movimento contra o estabelecimento de Israel. Com certeza, a população árabe da Palestina reagiu negativamente e resistiu à imigração  judia. Isto é bastante compreensível e, em si mesmo, nao  é certamente antissemita. Mas estas correntes de antissionismo convergiram históricamente .
 
Em relação  à terceira corrente, houve uma mudança nos últimos dez anos, começando pelo  próprio movimento palestino, relativamente à existência de Israel. Durante anos, a maioria de organizações palestinas  rejeitaram aceitar a existência de Israel. Porém, em 1988 a OLP decidiu que iria aceitar a existência de Israel. A segunda intifada, que começou em 2000, foi politicamente muito diferente da primeira, e implicou em uma  reversão  dessa decisão .
 
Considero que esse foi um erro político fundamental, e acho que é extraordinário e lamentável que a esquerda tenha sido apanhada por esta  onda e esteja, a cada vez mais, a exigir a abolição  de Israel. Porém, hoje no Próximo Oriente há quase tantos Judeus quanto Palestinos . Qualquer estratégia baseada em analogias a situações como a Argélia ou a África do Sul simplesmente nao  funcionam , tanto a nível demográfico como a nível político e histórico.
 
Por que as pessoas não o  conseguem apreender a situação  tal como ela é atualmente, e tentam descobrir se existe algum tipo de resolução para aquilo que é essencialmente um conflito nacional que poderia gerar  uma  política progressista? Subordinar o conflito à categoria de colonialismo é desconhecer a situação . Ao contrário daqueles que limitaram a política progressista a uma luta nacional, eu penso que enquanto a luta estiver centrada na existência de Israel e na existência da Palestina, as lutas progressistas permanecem indeterminadas. As pessoas que consideram a luta contra a existência de Israel progressista estão  a aceitar algo reacionário.

 Na última década tem havido umha campanha concertada por parte de alguns  palestinos , e conduzida no Ocidente pela  esquerda, no sentido de colocar a existência de Israel novamente em cima da mesa. Entre outras coisas , isto tem como efeito o fortalecimento da direita em Israel.

 Entre 1967 e 2000 a esquerda em Israel argumentou sempre que os palestinos  queriam a autodeterminação e que a versão da propagada pela  direita que eles pretendiam erradicar Israel era uma fantasia. Infelizmente, essa fantasia revelou no ano 2000 não  ser uma  fantasia de todo, o que fortaleceu incomparavelmente a direita nas suas tentativas de impedir a criação  de um Estado Palestino . A direita israelita e a direita palestina estão a reforçar-se mutuamente, e a esquerda ocidental está apoiar aquilo que considero ser a direita palrstina , os ultranacionalistas e os islamistas.

 A ideia de que a cada nação , excetuando os Judeus, deve ser permitida a autodeterminação conduz-nos de volta à União  Soviética. Basta apenas ler Estaline acerca da questão  das nacionalidades.

 Outra coisa  invulgar em algumas  atitudes atuais das correntes de esquerda em relação  a Israel é a visão  sobre Israel   possuir um poder enorme e misterioso. Por exemplo, é frequentemente assumido como axiomático que Israel é a potência dominante do Próximo Oriente, e é igualmente argumentado que Israel possui um enorme poder nas camadas dirigentes dos EUA e do Reino Unido.

– Israel está longe de ser este país tão forte como  é assumido. Porém, existe gente como o meu presente e antigos colegas na Universidade de Chicaco, John Mearsheimer e Stephen Walt, fortemente apoiados por círculos britânicos, que defendem que o único elemento que dirige a política americana no Próximo Oriente é Israel, medida polo lobby judeu. Eles realizam esta afirmação  veemente na ausência de qualquer tentativa séria de analisar a política americana no Próximo Oriente desde 1945, que seguramente não  pode ser adequadamente compreendida estando assentada em Israel. Assim sendo, por exemplo, eles ignoram completamente a política americana relativamente ao Irám nos últimos 75 anos. Os alicerces reais da política americana no Próximo Oriente após a Segunda Guerra mundial foram a Arábia Saudita e o Irám. Isto mudou nas últimas décadas, e os americanos nnão  têm a certeza hoje em dia em  como lidar com isso e assegurar o Golfo para a prossecução dos seus objetivos. Todavia, há um livro escrito por esses dois académicos mencionados que alega que a política americana no Próximo Oriente foi conduzida mormente pelo  lobby judeu, sem se preocuparem em analisar seriamente as políticas das grandes potências em relação  ao Próximo Oriente no século XX.
 
Já sustentei noutro lugar que este tipo de argumentação  é antissemita. Isto não  tem nada a ver com as atitudes pessoais do povo envolvido, mas a sorte de enorme poder global atribuido aos Judeus (como, neste caso, o de manipularem ocultadamente o gigante, bondoso e ingénuo Tio Sam) é típico do pensamento antissemita moderno.
 
De um modo mais geral, essa ideologia representa aquilo que eu chamo de forma fetichizada de anticapitalismo. Isto é, o poder misterioso do capital, que é intangível, global e que desestabiliza nações, regiões e a vida das pessoas, é atribuído os Judeus. O domínio abstrato do capitalismo é personificado no judeu. O antissemitismo é uma revolta contra o capital global, falsamente entendido como os Judeus. Esta abordagem pode também ajudar a explicar o crescimento do antissemitismo no Próximo Oriente nas últimas duas décadas. não  penso que mencionar apenas o sofrimento dos Palestinos  seja uma explicação  suficiente. Economicamente, o Próximo Oriente tem declinado significativamente nas últimas três décadas. Apenas a África Subsariana se encontra em piores condições. E isto ocorreu num momento em que os outros países e regiões, tidos como parte integrante do Terceiro Mundo há cinquenta anos, se desenvolveram rapidamente. Penso que o antissemitismo no Próximo Oriente, hoje em dia, é uma expressão  não  apenas do conflito israelo-palestino, mas também de um  sentimento geral de impotência exacerbado à luz destes desenvolvimentos globais.
Na direita alemã de há cem anos, a dominação  global do capital costumava ser considerada como dos Judeus e da Grã Bretanha. Hoje em dia a Esquerda encara esse domínio como o de Israel e os EUA. O padrão  de pensamento é o mesmo. Temos agora uma forma de antissemitismo que parece ser progressista e “anti-imperialista”; o que constitui um verdadeiro perigo para a esquerda.

 O racismo raramente constitui um  perigo para a esquerda. Mas a esquerda tem de ter cuidado para não  se tornar racista, mesmo que  isso não seja um perigo permanente porque o racismo não  possui a dimensão  aparentemente emancipadora do antissemitismo.

 A identificação  do poder capitalista global com os Judeus e o Reino Unido remonta a uma época anterior aos nazis, as seções da esquerda britânica durante a Guerra dos Bóeres, condenada como sendo uma “guerra judaica”, e ao movimento populista nos EUA, no final do século XIx.
– Sim, e está a voltar nos EUA atualmente. Os chamados “tea parties”, a denominada fúria popular (grass-roots) de direita acerca da crise financeira, possui traços marcadamente antissemitas.
O senhor defende que a URSS e os sistemas similares não  eram formas de emancipação  do capitalismo, mas formas de capitalismo de Estado. Assim, a atitude geral da esquerda ao colocar-se do lado da URSS, por vezes de um modo bastante crítico, contra os EUA foi autodestrutiva. O senhor tem realçado a analogia entre o tipo de anti-imperialismo que se coloca do lado do Islám político, enquanto contrapoder dos EUA, e a velha Guerra Fria. Quais são as características comuns entre estas duas polarizações políticas? E as diferenças?
– As diferenças são  que a forma anterior de antiamericanismo estava ligada à promoção  das revoluções comunistas no Vietname, em Cuba,… O que quer que pensássemos disso na altura, ou como o encaremos retrospetivamente, a sua própria autocompreensão era a de que promovia um projeto emancipador. Os EUA eram severamente criticados não  apenas por serem uma grande potência, mas também porque estavam a impedir a emergência de uma   ordem social mais progressista. Essa era a autocompreensão de muitos dos que solidarizavam com o Vietname ou com Cuba.

 Hoje em dia, duvido que mesmo as pessoas que proclamavam “somos todos Hezbollah” ou “somos todos Hamas” acreditem que esses movimentos representam uma ordem social emancipadora. No melhor dos casos está envolvida uma reificação orientalista dos Árabes e/ou Muçulmanos enquanto Outro, mediante a qual o Outro, desta vez, é afirmado. Trata-se de outra  indicação  do sentimento histórico de impotência por parte da esquerda, da incapacidade para desenvolver um imaginário acerca de como poderia ser um futuro pós-capitalista. não  possuindo qualquer visão  de um  futuro pós-capitalista, muitos substituíram qualquer concepção  de transformação por uma noção  reificadau de “resistência”. Qualquer coisa  que “resista” aos EUA é encarada positivamente. Considero esta forma de pensamento extremamente questionável.

 Mesmo no período anterior, quando predominava a solidariedade com o Vietname, Cuba,…, penso que a divisão do globo em dois campos teve consequências bastante negativas para a esquerda. A esquerda encontrou-se frequentemente numa posição  em que era o espelho dos nacionalistas ocidentais.

 Muitos elementos de esquerda tornaram-se nacionalistas do outro lado. A maior parte deles, com algumas exceções significativas, era extremamente apologética do que se estava a passar nos países comunistas. O seu olhar crítico estava distorcido. Em vez de desenvolver uma forma de internacionalismo que fosse crítico de todas as relações existentes, a esquerda tornou-se apoiante de um dos lados numa outra vesão  do Grande Jogo.

 Isto teve efeitos desastrosos nas faculdades críticas da esquerda, e não apenas no caso dos comunistas. É absurdo que Michel Foucault tenha ido ao Irám e considerado a revolução dos mullahs como possuidora de aspectos progressistas.

 Uma outra  coisa  que tornou a divisão  em dois campos sedutora foi o  facto dos comunistas ocidentais tenderem a ser pessoas bastante progressistas, pessoas muito corajosas, frequentemente, que sofriam em virtude das suas tentativas, no seu próprio entendimento, de criar umha sociedade mais humana e progressista, e talvez mesmo uma sociedade socialista. Essas pessoas foram completamente instrumentalizadas; mas, por causa do duplo carácter do comunismo, era muito difícil para algumas pessoas constatar isso. Os segmentos da esquerda social-democrata que se opunham a esses comunistas, e viam como eles eram manipulados, tornaram-se eles mesmos ideólogos do liberalismo  durante a Guerra Fria.

 Julgo que a esquerda não deveria ter apoiado nenhum dos dois lados da divisão . Mas penso igualmente que a situação  da esquerda é pior hoje em dia.  Entrevista original: “Zionism, anti-semitism and the left”, in Solidarity, Vol. 3, Nº 166, fevereiro 2010, PP. 21-22. Fonte: WORKER’S LIBERTY

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