Nos subúrbios da cidade – Arlindenor Pedro

 

Olhando aquelas cadeiras dispostas na calçada, as mulheres sentadas, crianças em algazarras, sentindo o entardecer. Olhando aquelas imagens  serenas, debruçadas nos portões e muros das casinhas com cortinas nas janelas. Observando aquele cenário, o sol morrendo na serra distante, o vermelho do céu, os acordes da Ave Maria, confesso, não nego, que as lágrimas saltaram dos meus olhos. Num repente passei a fazer comparações: lembrei – me de Jack London, das alusões aos descompassos neuróticos dos guetos das classes médias. E senti orgulho,sem nenhuma vergonha, dessa gente tão simples, que no mundo de não ser, num tempo de incertezas, de desconfianças, de degradação humana, se mantém imunes, vacinadas da crise. Senti, então, que elas, a seu modo, estão cientes e simplesmente aguardam o chegar do futuro, o quebrar do Tacão de Ferro.

Presidio Hélio Gomes,1 de novembro de 1976.

Arlindenor Pedro

2 comentários sobre “Nos subúrbios da cidade – Arlindenor Pedro

  1. Arlindenor – Suas lembranças e suas análises possuem força e beleza – creio que tocam profundamente a todos os que sonharam os sonhos do início dos 60 e ainda acreditam numa superação mais dos males dessa pseudo-democracia que se instalou!

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