Medo – Arlindenor Pedro

De repente abriram a porta da geladeira.

Sinceramente, pensou que era para mais uma sessão de interrogatório. Ele ficava sempre aguardando que viessem busca-lo: o corpo tremia , vinha o pânico. O frio constante que entra através de condutores na geladeira o debilitava : não dormia, começa a ver figuras, imagens…a perda da consciência.

 

Quantos dias estava alí ? Perdera a noção! As vezes pensava que estava em casa. Mas acordava ( acordava?) e só via o escuro. Ficava sentado, agarrando a cabeça, tentando espantar o frio que o consumia.

 

O clarão que vinha da porta aberta só deixou aparecer um braço que balançava insistentemente algo, que aos poucos percebeu ser um cobertor de lã.

 

A voz falou:- toma, cubra-se com esta manta. Pela manhã virei busca-la. Não conte pra ninguém. Anda!…Anda! E, fechou a porta.

 

Cobriu-se mais que rapidamente.. Ah! Que beleza.! Foi a melhor noite da sua vida.

 

Presidio Hélio Gomes, dezembro 1976.
Arlindenor Pedro 

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