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O crescimento e a crise da economia brasileira no século XXI como crise da sociedade do trabalho: bolha das commodities, capital fictício e crítica do valor-dissociação – Fábio Pitta

Bolsonaro é fruto de seu tempo. Representa a particularidade brasileira para um fenômeno de ascensão de governos de extrema-direita no mundo (SCHOLZ, 2020). Em termos ideológicos, formulou um discurso que relaciona a atual crise econômica brasileira à esquerda composta por “vagabundos corruptos” no poder, que deveriam ser exterminados a partir de agora, já que desejariam “implantar uma ditadura comunista no Brasil”, nada menos plausível depois de 13 anos de Partido dos Trabalhadores no governo federal, sem terem tentado realizar nada perto disto. Desde sua ascensão, Bolsonaro tem promovido reformas que visam acabar com as tentativas de gestão da barbárie (MENEGAT, 2019a) dos governos anteriores, encerrando programas de distribuição de capital fictício possíveis no ápice da bolha das commodities (2002 – 2011, PITTA, 2018), fomentando a expansão da fronteira agrícola sobre o que restou de florestas e reservas indígenas, desmontando a parca seguridade social e leis trabalhistas existentes no Brasil contemporâneo. Sua agenda econômica é qualificada de “ultraliberal”, porém, não exprime nenhum discurso de “retomada” de crescimento econômico, explicitando que até mesmo a extrema-direita parece não acreditar mais nesta possibilidade. Assim, ao nível ideológico, Bolsonaro sintetiza o homem branco ocidental em crise pós estouro da bolha econômica global de 2008: ressentido, conspiratório, narcisista, parte de uma camada média com tendências a amoque social. Após a posse de Bolsonaro, as estatísticas quanto ao número de feminicídios (na maioria das vezes perpetrados pelos próprios maridos ou familiares das vítimas), de assassinatos de grupos excluídos como indígenas, negros favelizados ou encarcerados (pela polícia e grupos de extermínio), de desmatamento criminoso e de suicídios no Brasil dispararam configurando números trágicos (BRUM, 2020). Continuar lendo O crescimento e a crise da economia brasileira no século XXI como crise da sociedade do trabalho: bolha das commodities, capital fictício e crítica do valor-dissociação – Fábio Pitta

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A Guerra como modelo da dissociação catastrófica do capitalismo – Marildo Mengat

Neste ensaio, o autor pretende examinar o lugar e a função da guerra como uma força destrutiva, na sociedade capitalista. Partindo de uma tese esboçada por Robert Kurz, é examinada a relação entre guerra, dinheiro e sacrifício, como contexto concreto da origem da economia, como uma forma de dominação fetichista. Posteriormente, ele analisa a mudança de lugar da guerra no momento em que o capital começa a andar com seus próprios pés. De uma forma impositiva externa, a guerra transforma-se em instrumento de crescimento e modernização imanente do capitalismo. Na fase madura do capitalismo, a guerra torna-se parte dos mecanismos de financeirização da economia. Defende-se, ao longo do ensaio, que a guerra é um modelo destrutivo que acompanha a constituição e o desenvolvimento das categorias fundamentais do sistema e, por esta razão, deve ser entendida também como modelo do porvir, ou seja, da dessocialização catastrófica no segundo colapso do sistema por hora em curso. Continuar lendo A Guerra como modelo da dissociação catastrófica do capitalismo – Marildo Mengat

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A guerra de decomposição do capitalismo russo – Pablo Jiménez C.

Robert Kurz, ao contrário da maioria dos seus contemporâneos, compreendeu que a implosão do socialismo de caserna, uma formação capitalista de modernização atrasada sob a bandeira do marxismo, constituía a antecâmara do colapso do processo de modernização mundial. Contudo, este processo de colapso não deve ser entendido como o afundamento iminente e imediato do sistema capitalista, mas como o desmoronamento já em curso de um modo de produção histórico que cada vez mais colide com os seus limites internos e externos.

Assim, o colapso da URSS não implicou imediatamente o colapso do capitalismo russo enquanto tal, mas a sua reorganização e adaptação às novas circunstâncias históricas criadas pelo processo de globalização capitalista. A ascensão de Putin à posição hierárquica superior do Estado russo no último dia do último milénio significou tanto a reorganização do capitalismo russo como o início do seu processo de decomposição no meio de um estado de excepção permanente sobre a sociedade. De facto, o seu verdadeiro “mérito” histórico – se pensarmos de acordo com a ideologia de morte própria do sujeito iluminista – seria precisamente a estabilização do capitalismo russo e a formação de um Estado imperialista arqui-autoritário e independente – capaz de competir com o Ocidente – que travou os esforços ocidentais sustentados para transformar a Federação Russa numa periferia subjugada ao neo-imperialismo ocidental. Continuar lendo A guerra de decomposição do capitalismo russo – Pablo Jiménez C.

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Prologo à Segunda Edição de “O 18 Brumários de Luiz Bonaparte “- Herbert Marcuse*

A república parlamentarista incorre numa situação em que só resta uma escolha à burguesia: “Despotismo ou anarquia. Ela, na turalmente, optou pelo despotismo”. Marx conta a anedota do Concílio de Constança, segundo a qual o cardeal Pierre d’Ailly respondeu aos defensores da reforma dos costumes: “O único que ainda pode salvar a Igreja católica é o diabo em pessoa e vós rogais por anjos”.Hoje nem mesmo o desejo de que os anjos intervenham continua na ordem do dia. Mas como se chegou a essa situação em que a sociedade burguesa só pode ainda ser salva pela dominação autoritária, pelo exército, pela liquidação e traição das suas promessas e instituições liberais? Tentemos resumir o universal que Marx torna manifesto em toda parte nos acontecimentos históricos particulares. Continuar lendo Prologo à Segunda Edição de “O 18 Brumários de Luiz Bonaparte “- Herbert Marcuse*

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Uma conversa com Roswitha Scholz

“Assumo que não é apenas o valor como sujeito automático que constitui a totalidade, mas que é preciso ter em igual conta a “circunstância” de que no capitalismo também existem actividades reprodutivas que são realizadas principalmente por mulheres. Neste contexto, “dissociação-valor” significa que, na essência, as actividades reprodutivas específicas das mulheres, mas também os sentimentos, características e atitudes conexas (sensibilidade, emocionalidade, cuidado etc.) são dissociados do valor/mais-valia. As actividades reprodutivas femininas no capitalismo têm assim um carácter diferente do trabalho abstracto. É por isso que não podem ser subsumidas sob este conceito sem mais; são um lado da sociedade capitalista que não pode ser apreendido pelo sistema conceptual marxiano. Este lado está junto com o valor/mais-valia, pertence-lhe necessariamente, mas no entanto está fora dele, sendo ainda assim a sua condição prévia. Valor (mais-valia) e dissociação estão assim numa relação dialéctica entre si. Um não pode ser derivado do outro, mas ambos emergem um do outro. Esta lógica também dá origem à “heterossexualidade compulsiva” (Adrienne Rich), uma vez que outras formas de desejo sexual são per se excluídas e perseguidas como desviantes. A este respeito, a dissociação-valor pode também ser entendida como uma metalógica que se sobrepõe às categorias internas da economia.” Continuar lendo Uma conversa com Roswitha Scholz

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O “irrealismo”capitalista de Mark Fisher- André Márcio Neves Soares

No entendimento de Fisher, se a classe operária aceitou a social-democraciacomo uma conciliação de classe, a globalização, com sua sistemática de produção e consumo globais, acabou com essa pacificação. A partir da década de 1980 o que se viu foi o acirramento da batalha entre classes em cada país, com o resultado momentâneo da vitória do neoliberalismo. Fisher ilustra muito bem esse entendimento relacionando o ano de 1984, emblemático por ser o ano da distopia de George Orwell e da viragem feroz do paradigma capitalista com o atentado thatcherista contra os mineiros em nome de uma suposta liberdade. Continuar lendo O “irrealismo”capitalista de Mark Fisher- André Márcio Neves Soares

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Por Marielle!- André Márcio Neves Soares

É preciso perseverar na memória de Marielle. Quando o tempo político mudar, com a esperança damaioria da população, será possível abrir os cadeados que escondem esse duplo crime, infame, e revelar os já conhecidos mandantes, ainda escondidos pelo poderrepublicano investidos no momento. Não deveria ser assim, é fato, mas a democracia, caro leitor, serve a diferentes propósitos para os eleitores (o povo em geral) e para os que são eleitos – os poucos que se consideram excelentes por natureza e isentos de qualquer alcance da lei. Continuar lendo Por Marielle!- André Márcio Neves Soares

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História e Desamparo: Mobilização de Massas e Formas Contemporâneas de Anti-Capitalismo – Moishe Postone

 O colapso do Fordismo significou o fim da fase de desenvolvimento à escala nacional assente na direcção do estado – quer na base do modelo comunista, do modelo social-democrata ou do modelo de desenvolvimento estatista do Terceiro Mundo. Isto colocou enormes dificuldades a muitos países e imensas dificuldades conceptuais para todos aqueles que encaravam o estado como um agente positivo promotor da mudança e do desenvolvimento. Continuar lendo História e Desamparo: Mobilização de Massas e Formas Contemporâneas de Anti-Capitalismo – Moishe Postone

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Sobre a inevitável escalada-André Márcio Neves Soares*

Putin quer garantir a territorialização pública dos seus negócios privados. Em outras palavras, sabe que para garantir poder suficiente para alavancar seus interesses pessoais, e de sua fração de classe mais chegada, é preciso estar à frente dos negócios. E mais. É preciso que exista terra firme e pessoas que o aplauda. Donde a posição estratégica da Ucrânia é um estímulo à desmesura violenta. Assim, garantida a inviolabilidade do território russo, e cercado por barreiras estratégicas para impedir a aproximação do ocidente, Putin poderá passar para a fase 2 da sua escalada inevitável: a influência totalitária que a Rússia perdeu há mais de 3 décadas no desmanche soviético. Continuar lendo Sobre a inevitável escalada-André Márcio Neves Soares*

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O médio oriente e a síndrome do anti-semitismo – Robert Kurz

Certamente também ao estado de Israel, que é evidentemente parte integrante da economia mundial capitalista, podem ser atribuídos, dada a sua forma, todos os atributos negativos da estatalidade moderna e do moderno sistema produtor de mercadorias. Mas, devido ao seu carácter singular, já que constitui em última instância um produto involuntário dos nazis e da lógica de aniquilação da subjectividade capitalista na sua extrema agudização, este estado é o primeiro, o último e o único a conter um momento decisivo de justificação, que aliás faltou desde o início a todos os estados revolucionários nacionais do Terceiro Mundo (os quais, afinal, todos começaram muito rapidamente a assumir expressões bem feias). Trata-se de um estado capitalista que é expressão da forma de sujeito capitalista, mas que, simultaneamente e numa articulação paradoxal, representa a necessidade e a legítima defesa extremas contra essa mesma forma de sujeito. Continuar lendo O médio oriente e a síndrome do anti-semitismo – Robert Kurz

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Ainda sobre o “milagre chinês” (II) – Maurilio Lima Botelho e Marcos Barreiro

A crise dos referenciais teóricos da antiga esquerda marxista – que, em todo caso, nunca entendeu criticamente as categorias de base do capitalismo – se deu em meio ao esgotamento do modelo de planejamento estatal do mercado que vigorou desde a década de 1920. Por mais que se apresentasse como um antípoda do capitalismo, sempre entendendo este a partir da combinação reducionista de propriedade privada e “livre mercado”, a realidade dessas sociedades “pós-revolucionárias” consistia precisamente no contrário, isto é, no processo de afirmação histórica das relações capitalistas fundamentais, a começar pela instituição da força de trabalho e do seu disciplinamento no contexto de construção da economia nacional. Desde o início, e em conformidade com o conceito reduzido de capitalismo, a intervenção do Estado foi confundida pelo marxismo tradicional com uma forma de poder não capitalista, mesmo quando ela atuava para implementar a acumulação primitiva e o desenvolvimento das relações de valor-mercadoria-dinheiro. O resultado da “modernização recuperadora” em economias de base fortemente rural (como a Rússia no início do século passado) foi uma formação social assentada na contradição entre a manutenção das categorias de base do capitalismo que o “primado da política” ajudou a instituir e a limitação do elemento concorrencial do mercado, o que deu origem a uma sociedade profundamente disfuncional.2 Continuar lendo Ainda sobre o “milagre chinês” (II) – Maurilio Lima Botelho e Marcos Barreiro

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Ainda sobre o “milagre chinês” (I)- Maurilio Lima Botelho e Marcos Barreiro

Em vez de explicar esse contexto de crescimento chinês, marcado pela expansão da riqueza em forma monetária, as teorias marxistas residuais se fixam na pura “materialidade” dos processos econômicos. Os investimentos em infraestrutura e no setor imobiliário, após a crise de 2008, aparecem diretamente, do ponto de vista material, como um salto qualitativo em termos de construção da “economia nacional”. Essa orientação, que se volta de modo imediatista para o concreto, seja em termos de positivismo econômico ou de “vontade política”, é incapaz de apreender o desenvolvimento das formas abstratas da riqueza e da dominação que estão no centro da crítica de Marx ao capitalismo.[14] Tanto a mobilização improdutiva de recursos para a produção de infraestrutura quanto o boom imobiliário, porém, são condicionados mais pelo imperativo abstrato da concorrência do que pelas necessidades concretas em termos de “utilidade” ou planejamento. Por meio da orientação “concretista”, a teoria permanece presa a um entendimento tradicional da contradição capitalista, que se limita a opor produção material (Grande Indústria) e propriedade privada. Um entendimento crítico da contradição capitalista teria, por um lado, de se basear na própria forma da produção e da sua contradição interna, na qual “o valor torna-se anacrônico e ainda assim permanece o âmago do capital” (POSTONE, 2018, p.18). Por outro lado, a dinâmica do capital também tem de aparecer como contradição entre a sua compulsão pelo crescimento sem limites e os custos desastrosos desse crescimento do ponto de vista ambiental, isto é, os custos materiais da produção de riqueza abstrata. Continuar lendo Ainda sobre o “milagre chinês” (I)- Maurilio Lima Botelho e Marcos Barreiro

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Um corte maior: Anulação das dívidas – Robert Kurz

O pensamento emancipador deve demarcar-se de forma aguda de interpretações economicamente vulgar-keynesianas, ideologicamente irracionais e muitas vezes étnico-neonazis. Pressupondo isto e sabendo, que se trata apenas de uma exigência parcial para a defesa imediata contra a destruição da reprodução social, pode a exigência da anulação de todas as dívidas impagáveis, não só do Terceiro Mundo, tornar-se um motivo importante do novo movimento social mundial. Continuar lendo Um corte maior: Anulação das dívidas – Robert Kurz

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O Conchavismo brasileiro – André Márcio Neves Soares

* Quando falamos a palavra “conchavo”, parece que estamos nos remetendo apenas para o sentido ruim que ela pode ter. Assim, “conchavo” passeia no imaginário popular como um conluio ou uma mancomunação visando uma finalidade má. Esquecemos que “conchavo” pode … Continuar lendo O Conchavismo brasileiro – André Márcio Neves Soares

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Um Ensaio Sobre a Guerra – Marildo Menegat

Em um Seminário na UFRJ, mais precisamente no Núcleo de Estudos Interdisciplinares em Fenomenologia , fomos encontrar o professor Marildo Menegat discorrendo sobre um tema que não é comum ser discutido na Academia : o tema da origem das guerras no mundo contemporâneo, o mundo criado pelo capitalismo. Continuar lendo Um Ensaio Sobre a Guerra – Marildo Menegat

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A sociedade autofágica- Resenha de Eleutério Prado

Anselm Jappe é um dos teóricos da corrente de pensamento crítico contemporâneo que se autodenomina de “crítica do valor”, a qual tem como fundadores principais dois pensadores bem conhecidos no Brasil: Moishe Postone e Robert Kurz. Essa linhagem de reflexão que provém de Marx é, entretanto, adversária do que ela própria denomina de “marxismo tradicional”. Em sua visão, este último tronco, assim como os seus vários ramos, nunca quis enfatizar a irracionalidade intrínseca do processo de acumulação de capital. Preferiu, ao contrário, concentrar-se na questão da distribuição dos frutos do progresso que dele resulta. Continuar lendo A sociedade autofágica- Resenha de Eleutério Prado

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A subdemocracia brasileira – André Márcio Neves Soares

Dessa maneira, o conceito de “subdemocracia” brasileira não está na forma como ela se deu, mas no método a que foi submetida. De fato, na nossa trajetória republicana o povo sempre foi excluído, enganado, marginalizado até, antes de ser reintroduzido na cena política, apenas para legitimar os acordos firmados entre os detentores do poder. Nessa toada, não importa se os governos que se sucederam foram encabeçados por militares, como nos períodos Vargas e na ditadura de 1964-1985, ou não, como no período pós-ditadura. Não à toa, a expressão “República Democrática de Direitos” só foi introduzida na Constituição de 1988. Não que espelhe a realidade, pois continuamos mais para uma “República Oligárquica de Direitos”. Mas é sintomático que, até 1988, a democracia sequer era mencionada na Carta Magna do nosso país. Continuar lendo A subdemocracia brasileira – André Márcio Neves Soares

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A “Guerra pela Eternidade”, de B. Teitelbaum: O Tradicionalismo Político Ocidental como contenção do Anticristo – uma visão Tradicionalista do livro de Benjamim Taítelbaum.

Em uma das conversas reproduzidas no livro, Teitelbaum expõe as diferenças entre o ideólogo do tradicionalismo russo Alexander Dugin e Bannon, que naquela época havia começado a colaborar com o dissidente chinês Guo Wengui. Bannon tentou convencer o filósofo russo de que a Rússia e os Estados Unidos deveriam se unir sob o legado da civilização judaico-cristã (que segundo Bannon é o elo entre a Rússia e o Ocidente) contra a China como “baluarte de valores materialistas”. No entanto, Dugin tem uma visão fundamentalmente diferente do Ocidente e da China das posições de seu homólogo americano. Portanto, o “pacto entre tradicionalistas” proposto por Bannon não se concretizou. Continuar lendo A “Guerra pela Eternidade”, de B. Teitelbaum: O Tradicionalismo Político Ocidental como contenção do Anticristo – uma visão Tradicionalista do livro de Benjamim Taítelbaum.

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A Hermenêutica do Mito – Emmanuel Carneiro Leão

A serpente não mentiu. Verificou-se o que ela predissera. Será que Deus não disse a verdade? A interpretação cristã procura sair da aporia, recorrendo à imortalidade. O homem fôra criado imortal. O que Deus predissera com a cominação imediata da morte foi a perda da imortalidade. Mas o mito desconhece totalmente uma imortalidade do homem tanto depois como antes da transgressão. Por outro lado, o mito também afirma que a serpente enganou o homem. Interrogada por Deus, diz a mulher no versículo 13: “a serpente me enganou para que eu comesse”. Como a serpente pode ter enganado se disse a verdade? Só num caso; a saber, no caso de equivocação do têrmo morrer. Nesse caso, embora seja verdade, o que disse a serpente não é tõda verdade. Há um sentido de morte em que se torna falsa a predição da serpente. Então talvez seja verdadeira a predição da morte imediata feita por Deus. Mas que outra coisa poderá significar do que terminar de viver, a morte biológica? Para se responder essa questão de acôrdo com o mito, deve-se primeiro examinar os efeitos do fruto proibido.
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Sobre a potência política do inumano: retornar à crítica ao humanismo- Vladimir Safatle

É cada vez mais aceito certo diagnóstico de época que determina o presente como era do esgotamento da humanidade do homem. Compreende-se que o projeto filosófico da modernidade forjou, como uma de suas peças fundamentais, a imagem da humanidade enquanto qualidade do que é humano. Qualidade esta definida sobretudo por atributos ligados aos conceitos modernos de sujeito, como: autonomia reflexiva das condutas e ações, autodeterminação capaz de fundar o homem em uma relação de autenticidade a si mesmo, imputabilidade individual própria àquele que é moralmente responsável pelo que faz ser capaz de deliberar no interior do solo seguro de sua interioridade e, por fim, individualidade singular do que é irredutivelmente único. Acredita-se, inclusive, que as lutas políticas e as estratégias de crítica do existente devem estar fundadas na consciência do bloqueio da realização de tais atributos. Um pouco como se o sofrimento que leva a criticar a situação sócio-histórica estivesse ancorado em valores não realizados de autonomia, autodeterminação e autenticidade. Continuar lendo Sobre a potência política do inumano: retornar à crítica ao humanismo- Vladimir Safatle

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O Brasil à venda, mas Bolsonaro sangra – André Márcio Neves Soares

Se o processo de “impeachment” é essencialmente político, e de fato é (infelizmente nos últimos 30 anos estamos indo em direção ao terceiro pleito),talvez a consequência menos visualizada seja a da transformação do nosso sistema de governo, legalmente presidencialista, para o subterrâneo do parlamentarismo não oficial. Em si, os dois sistemas de governos são plenos de direitos desde que um deles esteja em vigor pelas leis do país. Mas estamos, no frigir dos ovos, aumentando o poder do que não é autorizado pela nossa constituição, o parlamentarismo, em detrimento do outro que vigora na nossa carta magna, o presidencialismo. Ou seja, estamos invertendo nosso sistema de governo, pelo menos a cada 10 anos nas últimas 3 décadas, sem o respaldo constitucional, incentivados pelo espetáculo das disputas de pura imagem, tão propício ao capital, pois este se totaliza na relação entre as pessoas, mediada pelas imagens, nos termos de Debord.  Continuar lendo O Brasil à venda, mas Bolsonaro sangra – André Márcio Neves Soares

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O som que ouvimos ao redor, são os jagunços que estão chegando – Arlindenor Pedro

Importante, é frisar que estas sentimentos sempre estiveram ai, Apenas agora, como nos versos de Clarisse Lispector que abrem este texto, , tiveram as condições para marchar com outros . Eu e você é que nunca tínhamos pensado que eles ali estavam . Continuar lendo O som que ouvimos ao redor, são os jagunços que estão chegando – Arlindenor Pedro

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O Brasil não tem perdão – André Márcio Neves Soares

A infame chacina de Jacarezinho mostrou aos brasileiros dotados de um mínimo de emotividade – os outros merecem ser submetidos a estudos psicológicos sérios -, três coisas de maneira definitiva: 1) “Deus” não é brasileiro, apesar das narrativas religiosas sempre justificarem acontecimentoscomo esse, desde a escravidão; 2) a luta de classes aqui é apenas um pano de fundo para esconder a verdadeira luta pela vida; e 3) a sociedade brasileira jamais foi progressista, no sentido de almejar um profunda reforma da vontade coletiva para a redução das imensas desigualdades entre as diversas camadassociais dentro das nossas fronteiras. Aqui estão reunidas as três reais dimensões de um país que jamais foi digno de pena: o sagrado, o profano e o psicológico. Em nenhuma dessas dimensões estivemos perto do patamar civilizatório mínimo para a dignidade da pessoa humana. Continuar lendo O Brasil não tem perdão – André Márcio Neves Soares

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Sujeito Contemporâneo – um debate com o Prof. Robson Oliveira

É o grande mérito do livro de Robson de Oliveira, ter empreendido a primeira análise de diferentes episódios da história da literatura mundial relacionando-os com as etapas do desenvolvimento da forma-sujeito. Ele fala de uma verdadeira “dupla acumulação primitiva”: objetiva – a subordinação da vida social à lógica do capital, crescente de forma incessante durante a modernidade – e subjetiva: a importância crescente da abstratificação e da indiferença (o autor retira de Georg Simmel o conceito de “blasé”) das estruturas psíquicas dos portadores dessa modernidade. Isso diz respeito, deve-se sublinhar, a todas as classes sociais, embora nem sempre da mesma forma: o “sujeito burguês” é uma categoria mais ampla do que apenas a classe burguesa. De maneira bem convincente, ele mostra que a forma-sujeito, que é uma pura abstração, se constitui pelo fim da Idade Média na Europa, paralelamente à emergência do dinheiro, e em relação estreita com uma nova maneira de conceber o tempo, em prelúdio à sua futura abstratificação e aceleração. Continuar lendo Sujeito Contemporâneo – um debate com o Prof. Robson Oliveira

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Engenharia genética diante de uma ( certa) antropologia filosófica – Luís Carlos de Oliveira e Silva

Considerando que a existência – isto é, o lançar-se para fora de si num vazio de significado que necessariamente precisa ser preenchido de sentido – é a essência do ente humano, a questão da autocompreensão é, ainda que muitas vezes não explicitamente, central para a lida humana. Este é o tema por excelência da antropologia filosófica. Continuar lendo Engenharia genética diante de uma ( certa) antropologia filosófica – Luís Carlos de Oliveira e Silva

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Considerações sobre a relação entre a televisão e a sociedade – Anselm Jappe

Uma utopia? Conheci pessoalmente, há vinte anos, na Califórnia algumas pessoas que não eram revolucionárias, mas que tinham decidido tirar o televisor da casa na qual viviam juntas e fechá-lo em uma despensa. Mas acontece que num dia um deles, e em outro dia outro, queria ver “somente determinada transmissão”, e a cada vez o aparelho era reposto em funcionamento. Até que um dia se cansaram, colocaram-no em um jardim sobre um pequeno muro, posicionaram-se a certa distância, tomaram cada um, como bons americanos, o próprio revólver e atiraram todos contra o televisor. Desde então, não se viu mais televisão naquela casa. Continuar lendo Considerações sobre a relação entre a televisão e a sociedade – Anselm Jappe

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Por que deveríamos ler mais John Gray ? – André Marcio Neves Soares

Ora, como almejar pretensiosamente a imortalidade sem sequer alcançar a liberdade? A solução para esse conflito que nunca foi deixado para trás, como disse Kleist, foi elevar a ciência como o atual demiurgo da humanidade. Ao contrário dos antigos que sabiam da incapacidade humana de despir-se do próprio mal interior, os atuais humanos, entorpecidos pela crença secular, buscam rodopiar em volta de si mesmos, como fantoches, e enganar a própria falha primordial: a ação humana. Continuar lendo Por que deveríamos ler mais John Gray ? – André Marcio Neves Soares

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Alguns pontos essenciais da crítica do valor – Anselm Jappe

No começo dos anos 1970, um triplo, senão quádruplo ponto de ruptura foi atingido: econômico (visível no abandono da indexação do dólar pelo padrão-ouro), ecológico (visível no relatório do Clube de Roma), energético (visível no “primeiro choque do petróleo”), aos quais se juntam as mudanças de mentalidade e de formas de vida do pós-1968 (“modernidade líquida”, “terceiro espírito do capitalismo”). Assim, a sociedade mercantil começou a chocar-se contra os seus limites, por vezes externos e internos. Continuar lendo Alguns pontos essenciais da crítica do valor – Anselm Jappe

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Os destinos do marxismo – ler Marx no século XXI- Robert Kurz

Quando o Marx clássico examina a História como um todo, no sentido do conceito hegeliano virado materialista de desenvolvimento e de progresso, fá-lo com o conceito de “história das lutas de classes”, assim projectando, portanto, o processo de desenvolvimento e imposição do capitalismo para toda a história anterior. Só com o conceito de fetiche empregado pelo Marx esotérico se torna possível denominar, num nível teórico de abstração mais elevado, uma comunidade de todas as formas sociais até hoje, não simplesmente através de retroprojeções da era moderna: por mais diferentes que as suas relações possam ter sido, nunca houve sociedades autoconscientes ,que pudessem decidir livremente sobre a utilização das suas possibilidades, houve sempre apenas sociedades que foram dirigidas por meios fetichistas dos mais diferentes tipos (rituais, personificações, tradições determinadas pela religião, etc.). Ter-se-ia de falar aqui de uma “história de relações de fetiche”. O moderno sistema produtor de mercadorias, com a sua economia autonomizada irracionalmente, representa, portanto, apenas a última forma de fetichismo social, fustigada pela sua própria dinâmica cega.

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O objetivo socialista e o novo movimento operário – Robert Kurz

O que está na agenda não é nem a impotente manutenção da tradição, nem o flerte “tático” com o movimento de classe média hoje dominante na superfície social (ou mesmo a desafortunada união de ambos na forma da NHT),[1] mas um esclarecimento impiedoso da questão de por que o comunismo, apesar de um desenvolvimento capitalista para além do seu amadurecimento, ainda não foi capaz de triunfar? Um debate sobre o objetivo socialista é inevitável se a esquerda marxista quiser encontrar o caminho de volta a si mesma. Continuar lendo O objetivo socialista e o novo movimento operário – Robert Kurz

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Um corte maior: Anulação das dívidas – Robert Kurz

O grande corte da anulação das dívidas não deve ser interpretado como solução definitiva e superação do capitalismo. Apenas uma crítica abreviada confunde o capital financeiro com a relação de capital em si. Marx denominou isto como “preconceito popular”. A lógica da crise é assim virada ao contrário: O capitalismo de bolhas financeiras e de dívidas aparece não como consequência do limite interno da acumulação real, mas ao contrário, como causador da crise, realizado por de cobiça malévola. O anti-semitismo com a personificação de um capital judeu imaginário “rapinante” já não está longe. Continuar lendo Um corte maior: Anulação das dívidas – Robert Kurz

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O duplo Marx diante da crise ecológica- Anselm Jappe

A crise ecológica e o esgotamento dos recursos naturais não são aspectos acessórios do modo de produção capitalista e não podem ser evitados com o estabelecimento de um capitalismo mais “inteligente”, moderado, verde e sustentável. Essas crises decorrem de seu princípio básico: o “valor” de um produto no mercado é determinado apenas pelo tempo de trabalho vivo que é socialmente necessário para sua produção. Continuar lendo O duplo Marx diante da crise ecológica- Anselm Jappe

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A democracia como ordem imaginada – vidas precárias que não importam – André Marcio Neves Soares

Se é verdade que a democracia sempre esteve atrelada ao progresso, seja de ideias, seja de desenvolvimento tecnológico, não foi à toa que, quando a antiguidade refluiu para dentro dos muros feudais, a crença democrática sucumbiu junto. Se o que passou a valer foi a sobrevivência, não havia condições intelectuais para o pensar político. O máximo que ocorreu, e assim mesmo lentamente, foi o desenvolvimento técnico para a guerra. Continuar lendo A democracia como ordem imaginada – vidas precárias que não importam – André Marcio Neves Soares

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O Capitalismo não tem salvação . Mas, como escapar dele ?André Márcio Neves Soares

Sobre o que chamo de “teoria das pequenas comunidades”, ela nem mesmo está sendo gestada, discutida, vislumbrada como uma alternativa. Por quê? Porque está no âmago dessa proposta o suplantar do Estado como o conhecemos hoje, seja ele neoliberal, social-liberal ou capitalista estatal. A globalização não elevará o “estúpido duende bípede” (LUXEMBURGO, 1902) ao paraíso fetichista de vida terrena prazerosa, bancada eternamente pela ciência e tecnologia inesgotáveis. Mesmo as drogas alucinatórias estão no seu limite, diante da nossa sede insaciável por mais alienação e satisfação egoica. Ao contrário, é provável que apenas o reverso do que está posto possa indicar alguma saída para o precipício da jornada humana, a saber, o re-aprender com os povos remanescentes que convivem harmonicamente com o planeta terra. Essa é uma ideia que julgo promissora. É preciso elaborá-la com carinho. Continuar lendo O Capitalismo não tem salvação . Mas, como escapar dele ?André Márcio Neves Soares

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Surfamos apenas as ondas do dia-a-dia – André Luiz B. Silva

A pandemia serviu para escancarar que a vida de milhões de brasileiros e brasileiras é supérflua e descartável. Aliás, algumas vidas sequer existiam para o governo, foram denominadas ‘invisíveis’ e apenas apareceram após a deflagração da doença. Continuar lendo Surfamos apenas as ondas do dia-a-dia – André Luiz B. Silva

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Passar fome pela pátria – Maurílio Botelho

Não basta ressaltar a abominável convivência de superprodução e escassez: o sucesso absoluto do setor mais dinâmico da economia brasileira resulta necessariamente na transformação do “mercado interno” em algo secundário. Os milhões de brasileiros que recebem auxílio emergencial e temem o futuro sem esse frágil amparo monetário não foram apenas descartados pelo mercado de trabalho, são tão também dispensáveis como mercado consumidor. Continuar lendo Passar fome pela pátria – Maurílio Botelho

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A democracia devora seus filhos – um livro em debate- um encontro com o prof. Maurilio Lima Botelho

Essa indeterminação histórica é o ponto de partida de Robert Kurz para discutir a relação entre fascismo e capitalismo. Em sua análise, o fascismo histórico aparece como um processo de gestação da democracia. A oposição entre fascismo e democracia erra porque apreende momentos ou etapas distintas de um mesmo processo histórico, manejando categorias abstratas (democracia, ditadura, liberdade) sem a sua respectiva moldura temporal Continuar lendo A democracia devora seus filhos – um livro em debate- um encontro com o prof. Maurilio Lima Botelho

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À espera dos escravos globais- Robert Kurz

Por trás dos poderes Legislativo, Executivo e Judiciário, da forma como os concebeu Montesquieu, há um “quarto poder” -o poder estrutural do sistema total de mercado. Desde Rousseau, esse ídolo econômico, que zomba de todo procedimento democrático, atende na teoria política pelo nome abstrato de “bem comum”. Ao jogo democrático sujeitam-se, portanto, somente alternativas predeterminadas (algo como a livre escolha entre a cruz e a caldeirinha), do modo como as concebem os cegos “processos naturais” da física social.
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Um cheiro de perfume podre: paranoia, negação e militares – André Márcio Neves Soares

O Brasil caiu numa armadilha sinistra. Duas trocas de ministros numa fase crucial da disseminação da epidemia mantêm o Ministério da Saúde de mãos atadas há mais de um mês, enquanto o presidente faz o diabo para acabar com o isolamento social e impor um medicamento inútil, com efeitos colaterais eventualmente graves. Por que essa obstinação? Para dar a ilusão de que existe cura pa Continuar lendo Um cheiro de perfume podre: paranoia, negação e militares – André Márcio Neves Soares

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